INDIGNAÇÃO E CONTROVÉRSIA

Espancamento de eletricista em quiosque gera revolta no litoral de SP

“Covardia”, diz parente; ela narra que vítima sofre de distúrbio psicológico e que estava em surto; dono de quiosque é acusado de agredi-lo, mas nega


Redação
Publicado em 25/09/2023, às 12h32

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Imagens cedidas por familiares mostram Raimundo ensanguentado e com corte profundo no rosto após ser espancado - Imagem: Acervo Familiar Raimundo da Silva / Reprodução
Imagens cedidas por familiares mostram Raimundo ensanguentado e com corte profundo no rosto após ser espancado - Imagem: Acervo Familiar Raimundo da Silva / Reprodução


Familiares de um eletricista de 54 anos acusam um comerciante de espancá-lo em plena praia de Bertioga, no litoral de SP, onde ele mora. “Ficou muito machucado. Levou vários pontos no rosto. Deram muito chute no estômago, nas pernas dele. É revoltante”, disse uma familiar do eletricista em entrevista nesta segunda-feira (25).

Uma suposta testemunha disse que o dono de um quiosque na praia espancou o eletricista. O comerciante nega a acusação. Procurado, ele afirmou que um cliente espancou o homem. A prefeitura de Bertioga informou que o serviço de atendimento médico de urgência da cidade atendeu à ocorrência, mas não a Guarda Municipal.

O que aconteceu

Segundo apurado hoje (25) pelo Portal Costa Norte, o caso aconteceu na terça-feira (19). Também moradora de Bertioga, uma vendedora de 40 anos afirma que no final da tarde daquele dia foi avisada por conhecidos de que seu parente, Raimundo da Silva, havia sido espancado na praia da Enseada, na região da Vista Linda, e foi ao local socorrê-lo.



Ao chegar, ela o encontrou desfalecido e ensanguentado perto de um quiosque. “A gente começou a chorar. A gente sabe que ele pode morrer  a qualquer momento, mas não desse jeito. Não espancado, matado por uma pessoa”, lamentou a vendedora.

Ela afirma que Raimundo sofre de distúrbios psicológicos e estava em surto quando foi agredido. “Ele está com problemas psiquiátricos. Ele está doente”.

Em um grupo da cidade nas mídias sociais, uma suposta testemunha acusou o proprietário de um quiosque de espancar o eletricista. “Estou revoltado pela situação que eu vi. Ele [Raimundo] pedia dinheiro. Esse dono do estabelecimento ficou muito bravo, com muita raiva e espancou esse senhor. Fica aqui minha indignação por ser um dono de quiosque e fazer tamanha crueldade com uma pessoa assim”. A reportagem tentou contato com a suposta testemunha, que não respondeu.



Print de redes sociais com denuncia de espancamento
Em denúncia nas mídias sociais, suposta testemunha afirma que proprietária de quiosque espancou eletricista. Comerciante nega

Também procurado, o comerciante disse que viu a agressão, mas negou que tenha participado dela. “Ele é meio pancada esse velhinho, ele estava atirando pedra nos clientes aqui. Aí o cara pegou ele, meteu porrada nele. Ele estava falando que fui eu, mas não fui eu não. Eu não fiz nada nele não. Está doido”.

Após a denúncia da suposta testemunha, os proprietários do quiosque na praia Vista Linda foram alvo de uma enxurrada de críticas nas redes sociais. “Quanta maldade. Eu conheço o proprietário do quiosque, não sabia que ele era assim”, disse um internauta. “Já me falaram pra não ir nesse quiosque porque ele [proprietário] é mal educado e grosso”, acrescentou mais um. “Esse cara dono do quiosque sempre foi um grosso”, disse outro. “Se sente o dono da praia”, completou outro.



Sob suspeita, uma outra proprietária do quiosque foi às redes e tentou justificar a agressão. Ela alegou que Raimundo “estava drogado, xingando todos e ameaçando as pessoas na rua e atirou pedras no local” e o comparou a um cachorro.

print denuncia redes
Ao se defender nas redes sociais, proprietária contradisse versão do proprietário e comparou eletricista a cachorro

Questionado, o proprietário acusado de agressão não explicou porque a outra proprietária não negou as acusações. “Ninguém agrediu nada. Eu não agredi ninguém. Não existe testemunha, porque estava eu, minha vizinha, minha mulher, meu filho, todo mundo aqui. Mas a praia estava vazia, inclusive”, alegou com impaciência, sem explicar de onde surgiu o suposto cliente agressor de sua versão se a praia estava vazia.



A versão do quiosqueiro não convenceu a familiar de Raimundo. “Eu acho que ele fez errado. Não precisava ele ter feito isso. Se ele [Raimundo] estivesse ameaçando alguém, ele [quiosqueiro] poderia ter chamado a polícia”.

Ela afirma que Raimundo usa medicamentos controlados e maconha, o que agrava as crises, mas não tem um perfil agressivo. “Ele nunca foi agressivo. Nem em casa, nem na rua. Ele pode ter falado sozinho ali, xingado, mas ele estava em surto, né?”, justifica a mulher que, com medo de represálias, preferiu não se identificar.

Enquanto isso, Raimundo se recupera dos ferimentos na casa de parentes, disse ela. A agressão, conclui a mulher, abalou a família inteira. “A mãe dele tem 83 anos. Quando ela soube [do espancamento], ela ficou arrasada. Ela passou mal, quase enfartou. Foi uma covardia, uma crueldade”.



A prefeitura de Bertioga informou que a Guarda Civil Municipal não foi acionada e o Samu foi acionado e se direcionou ao local, mas a vítima optou por não receber atendimento. A familiar afirma que Raimundo foi levado ao hospital por parentes.

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