Usina Hidrelétrica de Itatinga é exemplo de produção de energia com baixo impacto ambiental: o modelo a fio d´água; conheça esse patrimônio nacional

Anúncio da reabertura da Vila de Itatinga para o turismo, pela Autoridade Portuária de Santos (APS) e prefeitura de Bertioga, no início da semana, veio acompanhada de outras duas notícias: a possível geração de hidrogênio verde, na centenária Usina Hidrelétrica de Itatinga, para o porto de Santos, e a ampliação de produção da energia elétrica, atualmente de 15 megawtts, para 25 megawtts.
A informação foi prestada pelo presidente da APS, Anderson Pomini, que disse que haverá lançamento de uma parceria público privada – PPP, para empresários interessados em explorar a geração de energia na usina.
Vamos lançar uma Proposta de Manifestação de Interesse – PMI, para sentir o potencial dos investidores, que, como contrapartida à exploração de energia elétrica, terão que produzir hidrogênio verde para o porto de Santos substituir o combustível fóssil no abastecimento dos navios que mais poluem”.
Ainda segundo Pomini, os investidores da PPP também poderão incentivar uma nova etapa do uso turístico da Vila de Itatinga. “Isso deverá ser feito com total preservação do meio ambiente, e de forma que contemple os moradores de Bertioga, da região, de outros estados e países”.
A autonomia na geração de energia é um poderoso diferencial do porto santista no setor, já que ele é um dos poucos do mundo a produzir energia própria. Atualmente, 7mw da energia elétrica gerada na usina de Itatinga são utilizados no abastecimento da sede da APS e alguns trechos da margem direita do porto de Santos, pelo menos dez terminais.
A genial obra da engenharia nacional, projetada pelo engenheiro rio-grandense Guilherme B. Weinschenck, também responsável pelo projeto do porto de Santos, tem valor ambiental relevante para o litoral paulista, por ter mantido toda a área do complexo preservada, e graças ao tipo de energia que produz - o modelo a fio d'água.

O sistema de captação de água da usina de Itatinga respeita a natureza, já que não houve grandes alterações no fluxo natural do rio Itatinga.
O sistema começa a partir do desvio de parte da água do rio, a 800 metros de altitude, que segue da represa, por gravidade, pelo canal coberto por sólida obra até chegar à câmara d'água, a 640 metros de altitude, cuja localização foi determinada pelo cânion local.
A partir desse ponto, a água desce, direcionada até a linha de tubos, num percurso de 2km, quando a velocidade e a pressão são ampliadas até chegar à casa de força; daí, a água faz girar as turbinas, para, assim, ser transformada em energia cinética. Um processo realizado sem desmatamentos, inundações de áreas, ou uso de máquinas barulhentas e poluidoras.
A casa de força da usina de Itatinga possui cinco geradores e cinco turbinas. Os equipamentos hidráulicos e mecânicos (turbinas) são de fabricação alemã, da empresa J.M. Voith, e os elétricos, da americana General Eletric Co. Juntos formam um equipamento só, responsável pela geração de 15MW de energia.
Toda a energia gerada na usina segue por torres e cabos por 30km de extensão – divididos em três postos de apoio (Caiubura, a 13km de Itatinga; Caeté, a 17km e Monte Cabrão, a 25km) até chegar ao porto de Santos. A usina funciona 24 horas ininterruptamente e, de acordo com a APS, com um total de 126 funcionários, dos quais 14 da APS e 112 contratados.
Uma das maiores, entre as primeiras do gênero no país, a hidrelétrica tem relevante importância no desenvolvimento da região. Entre 1911 e 1927, além de abastecer o porto de Santos, também forneceu energia para as cidades de Santos, São Vicente e localidades vizinhas. Em 1925, durante uma grande crise de energia em São Paulo, forneceu 5.000kw diários à capital. Ela também foi responsável pelo fornecimento de energia para a construção da Usina Henry Borden, em Cubatão.
De acordo com o Instituto Federal Santa Catarina, a produção do hidrogênio verde, identificado pela sigla H2V, é feita a partir da eletrólise (reação química provocada pela passagem de uma corrente elétrica) da água, sem emissão de gás carbônico, e ele pode ser usado para vários fins, como: gerar energia elétrica; mobilidade elétrica, com veículos elétricos a célula a combustível e produzir amônia para fabricação de fertilizantes. As fontes de energia para a produção do H2V devem ser limpas e renováveis (solar, eólica, biomassa, marés, entre outras).