DO CONTROLE À CRIAÇÃO

Lula regulamenta indústria de games e abre caminho para incentivo à produção nacional

Decreto prevê medidas para fortalecer a produção nacional, formar profissionais, estimular exportações e facilitar o acesso de desenvolvedores a mecanismos de incentivo cultural

Pessoa joga videogame com um controle sem fio diante de uma televisão
Regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos foi assinada pelo presidente Lula - Pexels


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (14) o decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, criado pela Lei nº 14.852, sancionada em 2024.

A medida estabelece diretrizes para fortalecer a produção nacional de games, estimular a inovação tecnológica, ampliar a formação profissional e incentivar a exportação de jogos desenvolvidos no Brasil.

Segundo o governo federal, a regulamentação busca oferecer mais segurança jurídica ao setor e integrar os jogos eletrônicos às políticas públicas de cultura, educação, saúde e acessibilidade. O decreto também prevê mecanismos de fomento cultural para produtores de games.

Durante a cerimônia, Lula afirmou que o objetivo é ampliar a participação brasileira no desenvolvimento e na comercialização de jogos eletrônicos, em vez de manter o país concentrado no consumo de produtos criados no exterior.

O presidente declarou:

O Brasil não pode se limitar a ser um grande mercado consumidor de jogos criados em outros países. Temos condições de criar, desenvolver, financiar e exportar nossos produtos, gerando empregos qualificados, renda e inovação".

Games passam a ter reconhecimento como produtos culturais

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a regulamentação consolida o reconhecimento dos jogos eletrônicos como produtos culturais e obras audiovisuais interativas. Com isso, o setor poderá acessar mecanismos de fomento já existentes.



Game é cultura, game é audiovisual", ressaltou a ministra.

Segundo Margareth Menezes, a medida busca fortalecer a produção nacional, a formação de profissionais e a proteção da propriedade intelectual. A regulamentação também prevê a ampliação do uso dos jogos eletrônicos em iniciativas de educação e saúde, além de estimular a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico.

O texto foi elaborado a partir de diálogos conduzidos pelo Ministério da Cultura com entidades do setor, como a Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), e com outros ministérios, por meio de grupos de trabalho.

Decreto prevê formação profissional e incentivo à produção nacional

Entre os objetivos da regulamentação estão o estímulo à produção brasileira, a qualificação de profissionais e a ampliação da competitividade das empresas nacionais no mercado internacional.



A legislação reconhece profissionais que atuam no desenvolvimento de jogos eletrônicos, como artistas visuais e de áudio, designers de narrativa, programadores e produtores de jogos. Para essas atividades, não é exigida qualificação especial ou licença do poder público, conforme as regras previstas no marco legal.

A lei também estabelece tratamento específico para empresários individuais, sociedades empresariais e cooperativas que atuam no setor.

Outro ponto previsto é a proteção da propriedade intelectual e dos direitos autorais dos criadores. O marco legal contempla ainda a formação técnica e superior de novos desenvolvedores e define condições para políticas de desoneração fiscal na aquisição de equipamentos específicos.



As medidas buscam ampliar as condições para que desenvolvedores brasileiros concorram com empresas de outros países.

Governo anuncia plataforma Game Brasil

Durante o anúncio da regulamentação, o governo também apresentou a plataforma Game Brasil, destinada à divulgação e à promoção de jogos produzidos no país.

Outra iniciativa anunciada foi a criação de uma rede nacional de espaços voltados à formação, pesquisa e desenvolvimento na área de jogos eletrônicos.



Lula afirmou que o país precisa ampliar a produção de tecnologia e conhecimento. O presidente declarou: "O Brasil não pode ser eterno país exportador de soja, de minério de ferro e de milho. O Brasil tem que ser exportador de inteligência, de conhecimento".

O presidente também destacou o potencial dos jogos eletrônicos para abrir oportunidades de trabalho e empreendedorismo, especialmente para os jovens. Durante a cerimônia, ele afirmou: 

O papel do Estado é criar oportunidades. A gente está dizendo para vocês: façam que nós damos a cobertura, porque o Brasil precisa de vocês".

Quanto movimenta o mercado de games no Brasil?

O Brasil está entre os maiores mercados de jogos eletrônicos do mundo. Durante a cerimônia, Margareth Menezes afirmou que o país reúne cerca de 115 milhões de jogadores e movimenta entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões por ano.



Os dados apresentados também indicam que o mercado brasileiro de games, considerando o consumo de jogos e serviços digitais, movimentou aproximadamente R$ 12,7 bilhões em 2025, mantendo o país como o maior mercado da América Latina.

Já a indústria brasileira de desenvolvimento de jogos reúne mais de 1.000 estúdios e cerca de 13 mil profissionais, conforme as informações divulgadas. O faturamento estimado da atividade é de aproximadamente R$ 1,2 bilhão por ano, valor referente à indústria nacional, e não ao mercado consumidor como um todo.

Para a ministra da Cultura, a regulamentação busca fortalecer o setor como parte da economia e da produção cultural brasileira.



Estamos contemplando os games como um setor estratégico para o desenvolvimento audiovisual e da cultura, trabalhando para que o setor avance, cresça e que gere mais renda, emprego e oportunidade, e que seja reconhecido como a potência econômica que é, simbólica e cidadã", afirmou Margareth Menezes.

O que prevê o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos?

O Marco Legal dos Jogos Eletrônicos foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pela Presidência da República em 2024. A Lei nº 14.852 estabelece princípios para o desenvolvimento sustentável do setor e para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A legislação abrange jogos para computadores, consoles, celulares e plataformas on-line, incluindo aplicações de realidade virtual e aumentada. O texto também contempla a fabricação, a importação, a comercialização, o desenvolvimento e o uso comercial de jogos eletrônicos no Brasil.

O marco legal, porém, não se aplica a apostas esportivas, jogos de azar e outras modalidades com premiação em dinheiro.



Com a assinatura do decreto regulamentador, o governo estabelece diretrizes para a aplicação da legislação e para a integração da indústria de jogos eletrônicos às políticas públicas de cultura, formação profissional, inovação e desenvolvimento tecnológico.

A íntegra da lei pode ser consultada no Portal da Legislação do Planalto.

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