Com caldo intenso e preparo artesanal, iguaria japonesa inspirou a invenção que revolucionou a indústria alimentícia
Redação
Publicado em 08/08/2025, às 14h30
Quando foi a última vez que você comeu um “miojo”, achando que era lámen? Pois é... O lámen verdadeiro passa longe daquele pacotinho com pozinho sabor artificial. O prato, que nasceu na China, mas se consagrou no Japão, ganhou fama justamente pelo preparo cuidadoso do caldo, que pode levar dias para atingir o sabor ideal.
Feito com caldo quente e denso, geralmente de frango, carne ou frutos do mar, o lámen é servido com noodles frescos, legumes, carnes suculentas, ovos e até massa de peixe ou tempurá. Um verdadeiro banquete dentro da tigela.
Mas poucos dominam a arte de fazer a massa à mão, no método tradicional. Para fazer o noodle perfeito, a dica é misturar farinha, água e claras de ovos, sovar longamente a massa e depois a bater contra a pedra para ativar o glúten. A ausência de gordura (nada de gemas!) é essencial para conseguir os fios longos e elásticos que dão nome ao prato: lá-men significa exatamente isso, “massa esticada”.
Depois do trabalho braçal, o show começa: com movimentos rítmicos, a massa deve ser esticada e dobrada até que ela se transforme em dezenas de fios uniformes. Cozida por poucos minutos, a massa ganha firmeza e maciez, perfeita para receber o caldo quente e rico.
O lámen começou a ser citado no Japão por volta de 1600, mas só em 1910 surgiu o primeiro restaurante especializado, em Tóquio. De lá para cá, o prato se popularizou e hoje existem milhares de casas dedicadas exclusivamente a ele no país.
O segredo do sucesso? Caldo intenso, preparo rápido (quando já está pronto) e uma versatilidade que agrada desde os mais tradicionais até os mais ousados. E no Japão, comer lámen é quase um ritual: o macarrão é sugado com força junto ao caldo, o barulho, longe de ser falta de educação, é um elogio ao chef.
Se você acha que o miojo é só uma versão preguiçosa do lámen, saiba que ele nasceu justamente como uma adaptação dele. Em 1958, Momofuku Ando criou o macarrão instantâneo inspirado no prato original, com a intenção de alimentar uma população faminta no pós-guerra.
A invenção revolucionou a indústria alimentícia e, décadas depois, foi até para o espaço: em 2005, a Nissin produziu uma versão para o astronauta japonês Soichi Noguchi levar na missão da Discovery.
Mas se quiser descobrir o verdadeiro sabor do lámen, deixe o pacotinho de lado e procure um caldo fervente, uma massa esticada à mão e um bom par de hashi. Seu inverno, e seu paladar, agradecem.
*Conteúdo produzido a partir de reportagem da jornalista Fernanda Lopes, para a revista Beach&Co, do Grupo Costa Norte
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