Prática comum no passado associava água salgada e clima litorâneo ao tratamento de problemas físicos e emocionais
Lais Seguin
Publicado em 28/05/2026, às 17h00
A praia do Embaré, em Santos, ficou conhecida no início do século passado por um motivo incomum: médicos indicavam banhos de mar no local como parte de tratamentos de saúde.
A faixa de areia no litoral paulista preserva águas calmas, estrutura urbana e uma história ligada ao antigo hábito de usar a praia como recomendação médica.
O nome da região vem do tupi “mbaràa-hé”, expressão traduzida como “águas que curam”.
No começo do século XX, moradores da região central de Santos recebiam orientação médica para frequentar a praia.
Os banhos de mar apareciam até em receitas entregues por profissionais da saúde. O costume acompanhava uma prática comum da época.
Naquele tempo, a região da orla santista ainda era pouco ocupada e distante do cotidiano da população.
Segundo registros da Fundação Arquivo e Memória de Santos, o núcleo urbano da cidade permanecia concentrado na região central, atual Centro Histórico, enquanto a praia era considerada uma área afastada e de difícil acesso.
Antes da abertura das avenidas que ligaram o centro à orla e da expansão dos bondes, visitar a praia exigia tempo e disposição. Por isso, o hábito de frequentar o mar por diversão ainda não fazia parte da rotina dos moradores. As informações estão disponíveis no Costa Norte.
Os tratamentos à base de mar eram recomendados especialmente para problemas de pele, dores musculares e enfermidades ligadas aos nervos. A crença nos benefícios da água salgada também estava associada ao contato com o sol e ao ar marítimo.
A relação entre saúde e praia ajudou a mudar a própria ocupação urbana da cidade ao longo das décadas. Aos poucos, a orla passou a despertar interesse turístico e imobiliário.
Foi principalmente na década de 1920 que a praia começou a ganhar um novo significado para os moradores e visitantes. Hotéis instalados na região do Gonzaga passaram a oferecer estruturas voltadas aos banhistas, incluindo cabines para troca de roupa antes da entrada no mar.
O crescimento do turismo contribuiu para consolidar a orla como um dos principais cartões-postais do litoral paulista. Com o passar dos anos, a praia deixou de ser apenas recomendação médica e passou a representar descanso, lazer e qualidade de vida.
A praia do Embaré fica entre os canais 4 e 5 de Santos. O trecho possui areia clara e faixa mais estreita do que a da praia do Boqueirão.
As águas costumam apresentar poucas ondas. Isso ajuda a atrair moradores e turistas durante os fins de semana.
O ponto mais movimentado fica próximo à avenida Bartolomeu de Gusmão. A região concentra quiosques tradicionais e áreas usadas para caminhada e lazer.
Além da praia, o Embaré mantém parte da arquitetura histórica de Santos. O principal destaque é a Basílica Menor de Santo Antônio do Embaré.
A construção começou como uma pequena capela em 1875. Anos depois, o espaço passou por reconstrução e ganhou a estrutura atual.
Os frades capuchinhos assumiram o local em 1922. A ampliação da igreja começou poucos anos depois e transformou o prédio em um dos pontos religiosos mais conhecidos da cidade.
O bairro do Embaré também faz parte da história de Pelé. A família do ex-jogador morou na avenida Almirante Cochrane durante um período.
A ligação reforça a importância histórica da região dentro de Santos. O bairro cresceu junto com a expansão urbana da cidade e preserva referências ligadas ao futebol e à cultura local.
Hoje, a região conta com restaurantes, escolas municipais, centro cultural e unidades de saúde. O acesso pode ser feito por ônibus municipais e vias que ligam diferentes pontos da cidade.
A praia do Embaré está localizada na avenida Bartolomeu de Gusmão, entre os canais 4 e 5 de Santos. Quem visita Santos também encontra ligação rápida com outras praias da cidade, como Boqueirão, Aparecida e Ponta da Praia.
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