Exposição no Centro Cultural Banco do Brasil, que conta com seis núcleos temáticos, é gratuita e segue até novembro em São Paulo
Redação
Publicado em 31/08/2025, às 15h00
O Brasil é um dos maiores produtores e consumidores de memes do mundo — e agora também é o primeiro país a conceber uma grande exposição dedicada a esse fenômeno. MEME: no Br@sil da memeficação explora arte contemporânea, cultura digital e crítica social em experiência inédita, na capital paulista. A mostra teve início na semana passada e segue até 3 de novembro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no centro de São Paulo. Depois, a exposição segue para Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, com a colaboração do perfil de Instagram @newmemeseum, a mostra convida o público a explorar a memeficação como um dos modos mais potentes — e irônicos — de narrar o Brasil contemporâneo.
De acordo com o CCBB, a proposta rompe barreiras entre diferentes linguagens e repertórios culturais, reunindo nomes consagrados da arte contemporânea brasileira, como Anna Maria Maiolino, Gretta Sarfaty, Nelson Leirner e Claudio Tozzi, ao lado de criadores de conteúdo como Porta dos Fundos, Alessandra Araújo, Melted Vídeos, John Drops e Greengo Dictionary.
Organizada em seis núcleos temáticos — Ao pé da letra; A hora dos amadores; Da versão à inversão; O eu proliferado; Combater ficção com ficção e Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam? — a rica cenografia imersiva ocupa todos os andares do CCBB São Paulo com vídeos, neons, esculturas, figurinos, quadrinhos, pinturas, objetos, backlights, instalações sonoras e experiências interativas.
No primeiro núcleo da exposição, o foco recai sobre os jogos semânticos e os descompassos entre texto e imagem, que tornam os memes tão eficazes em gerar riso, crítica e estranhamento. Em vez de explicarem um ao outro, palavras e figuras se combinam para formar sentidos inesperados — ou se colam literalmente, desnaturalizando expressões e convenções sociais.
Inspirado pela célebre capa da revista Time de 2006 — que elegeu “você” como a personalidade do ano —, o núcleo aborda a virada provocada pela internet e pelas redes sociais, que deram visibilidade inédita às “pessoas comuns”. Os memes, nesse contexto, aparecem como uma tecnologia social de protagonismo, permitindo que vozes antes apagadas ou silenciadas ocupem o centro da cena.
A imitação é uma das bases da linguagem dos memes, e, por isso, aqui ela é investigada não como gesto de repetição, mas como uma atividade crítica e criativa. Esse núcleo mostra como memes transformam cópias em versões que subvertem e desmontam o original, produzindo humor, paródia e comentário social.
A explosão do “eu” nas redes sociais e a forma como a vida privada se tornou espetáculo são destaques neste núcleo. A internet deixou de ser apenas espaço de compartilhamento para se tornar palco de autoperformance. A construção de si — por meio de selfies, dancinhas, relatos, confissões e personagens — tornou-se prática cotidiana, revelando tanto o desejo de existir publicamente quanto os efeitos dessa superexposição.
A polarização política e a radicalização do discurso público são temas centrais deste núcleo, que examina o papel dos memes na disputa simbólica do presente. Ao mesmo tempo em que são ferramentas de leitura e resistência política, os memes podem também ser veículos de desinformação, exclusão e violência.
A curadoria propõe aqui uma reflexão sobre os usos éticos do riso, compreendendo o humor como forma sofisticada de diplomacia, mas também como instrumento perigoso nas mãos do autoritarismo. Entre a memecracia e a crítica, este núcleo convida a pensar: como rir sem reforçar os estigmas que queremos combater?
Encerrando o percurso, esse núcleo abraça a impossibilidade de definir os memes de forma única. Em vez de uma resposta fixa, a curadoria propõe uma provocação coletiva: como cada pessoa compreende o que é um meme? O que eles significam hoje?
O CCBB fica na rua Álvares Penteado, 112, centro de São Paulo. A exposição tem entrada gratuita e ocorre diariamente, das 9h às 20h (exceto às terças-feiras). Os ingressos devem ser retirados antecipadamente pelo site do CCBB e na bilheteria física, mediante disponibilidade.
Com informações de CCBB
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