Guarujá celebra santo Amaro com missa campal inédita em ermida histórica

Em comemoração ao padroeiro da cidade, nesta quinta-feira (15), missa será celebrada ao ar livre, em ruínas de antiga capela na divisa com Bertioga

Beatriz Ulinger
Publicado em 14/01/2026, às 12h14

Capela, em ruínas, foi construída em 1560, a mando do comerciante português José de Ardono - Arquivo Costa Norte/Raphael Campos


Em celebração ao dia do padroeiro de Guarujá, santo Amaro, comemorado nesta quinta-feira (15), a prefeitura da cidade celebrará missa campal, às 10h, na Ermida de Santo Antônio de Guaibê, localizada na Ponta da Armação, divisa com Bertioga. 

Neste ano, homenagem ocorre de forma inédita, com celebração religiosa de forma campal, ou seja, ao ar livre.

Aos que pretendem comparecer, recomenda-se o uso de trajes leves e sapatos confortáveis, devido à localização da ermida em área de vegetação.



Acesso, para quem sai de Guarujá, é a rodovia Ariovaldo de Almeida Viana e, em seguida, a trilha que ladeia o canal de Bertioga, com acesso pela portaria da Prainha Branca.

Para quem está em Bertioga, há duas opções: fazer a travessia de barco até a Ponta da Armação (barqueiros cobram R$ 15,00 por pessoa), e de balsa, a seguir por trilha.

Santo Padroeiro

Nascido em Roma, na Itália, no século XI, Amaro começou a trilhar cedo os caminhos da religião. Aos 12 anos de idade, já havia se tornado beneditino e era considerado um exemplo de obediência e virtude.



Canonização como santo ocorreu somente após seu milagre mais conhecido, que, de acordo com os livros religiosos, foi andar sobre as águas de um rio para salvar um jovem, a pedido do monge São Bento, que teve uma visão do afogamento.

Posteriormente, já como santo Amaro, foi encaminhado por Bento à Gália para fundar um mosteiro, onde governou e permaneceu até seu falecimento aos 72 anos, em decorrência de uma peste.

Sua ligação com Guarujá vem desde 1543, quando a ilha foi batizada em homenagem a santo Amaro. De acordo com documentos históricos, após dois anos, em 1545, foi construída uma capela, a mando do comerciante português José de Adorno.



Embora não hajam vestígios desse templo, de acordo com a prefeitura de Guarujá, acredita-se que ele teria sido erguido na região conhecida atualmente como Santa Cruz dos Navegantes.

Ermida de Santo Antônio de Guaibê

Conhecida como uma das primeiras igrejas do Brasil, a Ermida de Santo Antônio de Guaibê foi construída por volta de 1560, também por ordem do comerciante português José de Adorno.

A princípio, era utilizada por jesuítas para catequização de indígenas e, principalmente, por José de Anchieta, que teria escrito no local o poema Milagre dos Anjos.



Com o decorrer do tempo, a construção se deteriorou, principalmente após o embargo das obras no local, em 1766, decretadas pelo governador Luiz Antônio de Souza Botelho e Mourão, com a justificativa de estar 'em prejuízo da Fazenda de S. Majestade'.

Portanto, a reforma só foi concluída no final do século XVIII, pelo administrador Francisco José da Fonseca. Mas, mesmo assim, com o passar dos anos, o acesso à igreja ficou inviável, em razão da retomada da vegetação.

O cenário mudou somente em 1945, quando Armando Lichti ordenou a limpeza do local, para retomar as condições de acesso e visitas turísticas. Atualmente, é possível visitar, porém há apenas ruínas do que, outrora, foi uma pequena capela.



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