Fibra de pneu é transformada em bolsas e acessórios nas mãos de artesã de Caraguatatuba

Fibra de pneu é um material altamente poluente e se transformou em insumo para fabricação de bolsas e acessórios nas mãos da artesã

Estéfani Braz
Publicado em 04/10/2024, às 19h30

Artesã Sirley Ordonis trabalha há cerca de 20 anos com fibras de pneu - Estéfani Braz


A preocupação com a sustentabilidade tem sido cada vez maior, e transformar objetos inservíveis em matéria-prima é uma das formas de colaborar com o meio ambiente e, ainda, gerar renda. A artesã de Caraguatatuba, no litoral norte, Sirley Ordonis, descobriu nas fibras de pneus a transformação de um material altamente poluente em um excelente insumo para fabricação de bolsas e acessórios. 

A fibra é uma espécie de plástico, composta de nylon e derivada do petróleo, utilizada para composição de pneu. Cada fio da fibra suporta até 15 quilos. A artesã conheceu o material com pescadores que confeccionavam redes de pesca com fibras.

Fibras são uma espécie de plástico, composta de nylon e derivada do petróleo, utilizada para composição de pneu - Estéfani Braz

 



O material descartado pela fabricante de pneus pode levar muitos anos para se decompor na natureza e, como não pode ser reciclado pela empresa, a artesã conseguiu reutilizá-las, entrelaçando-as para produzir bolsas e outros objetos. 

Ela conta que, no começo, teve dificuldades em conseguir a matéria-prima. “Quando eu conheci, eu não sabia do que se tratava e, mesmo assim, eu comecei a trabalhar com ela. Mas, era um material difícil. Não sabia o que fazia, nem nada. Pensei em cortina, mas não dá. Hoje, eu sei que, quando você manuseia muito, rasga a fibra que faz a trama”. 

Sirley Ordonis trabalha sozinha na confecção das bolsas. - Estéfani Braz

 



Além de confeccionar as bolsas e acessórios, a artesã também começou a participar de eventos e criou uma rede de contatos até chegar a fabricantes de pneus que poderiam fornecer a matéria-prima. Foram cerca de quatro anos  na tentativa de encontrar contatos dentro da empresa, até conseguir chegar às pessoas que a ajudaram com o material. Hoje, a parceria já está estabelecida e Sirley precisa apenas retirar as fibras na fabricante, em São Paulo.

As bolsas foram as primeiras criações da artesã. Como ela tinha o propósito de ajudar na preservação do meio ambiente, cuidando do descarte correto do que sobrava da confecção, Sirley resolveu reutilizar também os pedaços que sobravam.

Artesã transforma fibra em diversas peças e acessórios - Estéfani Braz

 



A artesã trabalha sozinha e deixa que a própria fibra vá tomando forma.“Não tem uma receita. Não tem um modelo. Tem um padrão, mas elas são diferentes umas das outras. Mesmo porque, a própria fibra, ela não faz o que eu quero. Ela vira para onde ela quer. Às vezes, eu estou fazendo uma trança, ou torcendo, ela vira para o outro lado.  Aí já vira um outro trabalho, já vira uma flor. Já vira alguma coisa assim”.

O objetivo é conseguir implantar um projeto que ajude a levar a técnica adiante, para que outras pessoas possam sobreviver da economia circular. Sirley tem apresentado proposta para empresas, mas até agora não conseguiu a adesão. 

Desde 2005, foram reaproveitadas quase 4 toneladas do material. Com essa quantidade, foram produzidas mais de cinco mil bolsas e nove mil acessórios.  O produtos foram levados para várias partes do Brasil e do mundo. As peças estão disponíveis no instagram oficial do ateliê da Sirley Ordonis



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