Apenas preservar não é mais suficiente; especialistas da USP e do exterior apontam que o setor precisa focar na recuperação de ecossistemas e cidades
Redação
Publicado em 27/04/2026, às 10h04
No litoral e em regiões cercadas por Mata Atlântica, a discussão sobre o impacto dos visitantes é constante. O debate acadêmico global, no entanto, aponta que o modelo tradicional de "turismo sustentável" falhou em frear a degradação e as mudanças climáticas. A resposta para esse cenário atende pelo nome de turismo regenerativo.
O professor Thiago Allis, líder do grupo de pesquisa em mobilidade e turismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, aponta que a sustentabilidade se desgastou no mercado. O turismo regenerativo não surge como um segmento, ou um nicho de mercado, mas como nova abordagem que rejeita as práticas predatórias e se preocupa de forma ativa com a recuperação de ambientes naturais, sociais e ecológicos.
A diferença entre os dois conceitos é brutal. A pesquisadora Jaqueline Gil, do Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (UnB), explica que a literatura do turismo sustentável (iniciada em 1987) focava em não comprometer as gerações futuras.
Na prática, a agenda focou quase de forma exclusiva no lucro econômico. Segundo a pesquisadora, a literatura científica não possui evidências de que o turismo conseguiu reduzir as próprias emissões de gases de efeito estufa. Para o turismo regenerativo, a meta inverte: o propósito principal é apoiar a saúde e o bem-estar do lugar e da comunidade.
O modelo regenerativo absorve lições de cuidados com a terra originárias de povos indígenas, da agricultura e da arquitetura. A recuperação funciona de duas formas práticas:
A doutora australiana Loretta Bellato destaca que a regeneração não se restringe às matas ou praias selvagens. A prática também reverte a degradação em grandes centros. Em São Paulo, estruturas hoteleiras que seguem a linha regenerativa utilizaram o dinheiro gerado pela hospedagem turística para bancar a restauração estrutural de antigos edifícios históricos na cidade.
Jaqueline Gil aponta que o Brasil possui mais de 80% da população em áreas urbanas e detém potencial geográfico para assumir a liderança global da atividade turística regenerativa.
* Com informações de Fernando Silvestre, no Jornal da USP
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