Casos registrados em Ubatuba e Guarujá envolveram pais e filhos em situações distintas de afogamento e reforçam alerta para os riscos do mar
Eleni Nogueira
Publicado em 23/12/2025, às 16h59
Início do verão foi marcado por três mortes por afogamento, em pouco mais de 24 horas, no litoral paulista, todas envolvendo pais e filhos; as tragédias reforçam alerta para os riscos do mar neste período de aumento do fluxo de turistas.
Entre o meio-dia de domingo (21) e o início da tarde de segunda-feira (22), um pai morreu ao tentar salvar o filho em Ubatuba; uma mãe presenciou o afogamento do filho na Prainha Branca, no Guarujá, e um homem morreu após ser arrastado por correnteza enquanto estava no mar com o filho, também em Guarujá.
Em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, o caso ocorreu na praia do Perequê-Açu, por volta das 12h30 de segunda-feira (22). Um homem de 35 anos, morador da capital paulista, entrou no mar para tentar resgatar o filho de 10 anos, que havia se afastado da costa ao utilizar uma pranchinha, segundo informações do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar).
As equipes conseguiram retirar pai e filho da água. A criança foi resgatada sem grau de afogamento, mas o pai não resistiu, apesar das tentativas de reanimação ainda na areia. O óbito foi constatado no local.
No Guarujá, por volta do meio-dia de domingo (21), na Prainha Branca. Um jovem de 25 anos desapareceu após entrar no mar e, depois de buscas intensas realizadas pelo Corpo de Bombeiros, o corpo foi localizado por volta das 15h, no mesmo ponto do afogamento, em cena marcada pelo desespero da mãe na faixa de areia.
O segundo afogamento no Guarujá ocorreu por volta das 10h de segunda-feira (22), na praia do Pernambuco. Um radiologista de 38 anos, morador de São Bernardo do Campo, morreu após ser puxado pela correnteza.
De acordo com o boletim de ocorrência, ele havia entrado no mar acompanhado do filho e de um amigo, quando o trio caiu em uma corrente de retorno e não conseguiu retornar à areia.
As equipes de resgate conseguiram salvar os dois adolescentes, mas o homem não resistiu às condições adversas e à maré alta. O óbito foi constatado ainda no local, e o caso foi registrado como morte acidental, com encaminhamento do corpo ao Instituto Médico Legal (IML).
Com a chegada do verão e o avanço das festas de fim de ano, as cidades do litoral paulista passam a receber milhares de visitantes. Para o GBMar, o cenário exige atenção redobrada aos perigos do mar, especialmente em praias com maior incidência de correntes de retorno.
A corporação reforçou a importância do cuidado constante durante o banho de mar, principalmente na supervisão de crianças, idosos e pessoas com menor familiaridade com o ambiente marítimo.
Em declaração recente, o comandante do Grupamento de Bombeiros Marítimo, tenente-coronel Valdizar Nascimento, destacou que as correntes de retorno seguem como a principal causa de afogamentos fatais. “As ocorrências acontecem quando o banhista, sem conhecer o local, avança para áreas profundas, perde contato com o fundo e é arrastado para o mar”, alertou.
Os bombeiros orientam os frequentadores das praias a respeitar a sinalização de risco, permanecer próximos aos postos de guarda-vidas e manter atenção constante à própria localização no mar. “Estar atento às orientações de segurança é fundamental para aproveitar o momento de lazer com tranquilidade”, completou o comandante.
Entre as principais recomendações do GBMar estão evitar o consumo de bebidas alcoólicas antes de entrar no mar; não subir em pedras ou encostas; não utilizar objetos flutuantes improvisados e priorizar praias supervisionadas por profissionais treinados para situações de emergência.
Para enfrentar o período de maior movimento nas praias, a Operação Praia Segura foi intensificada em toda a faixa litorânea paulista, com cerca de mil profissionais mobilizados, entre bombeiros e guarda-vidas temporários, além do reforço de viaturas, embarcações e apoio aéreo.
A operação segue até março, com foco na prevenção de afogamentos e na ampliação da capacidade de resposta a ocorrências no mar, diante da expectativa de milhões de banhistas ao longo da temporada.
Em caso de ocorrência de afogamento em área não coberta por guarda-vidas, peça socorro pelo número 193.
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