Santos intensifica ações contra violência sexual infantojuvenil

Com quase 90% dos abusos restritos ao núcleo familiar, município da Baixada Santista articula rede de proteção e atendimento psicossocial às vítimas

Redação
Publicado em 18/05/2026, às 13h07

Campanha de conscientização utiliza o girassol como símbolo para iluminar uma realidade de abusos muitas vezes silenciada na sociedade - Francisco Arrais/Prefeitura de Santos


Em Santos, litoral de São Paulo, o mês de maio marca a intensificação do combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha Maio Laranja, que tem seu dia de mobilização nacional nesta segunda-feira (18), reforça a rede de proteção municipal para acolher vítimas e combater crimes que, na grande maioria das vezes, ocorrem dentro de casa.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o estado paulista registrou quase três mil vítimas infantojuvenis de violência sexual apenas entre janeiro e março deste ano. Segundo a prefeitura, o Programa de Atenção Integral às Vítimas de Violência Sexual (Paivas) atende cerca de dez casos semanais. Em 2025, a unidade acolheu 101 menores. Já em 2026, o serviço contabiliza 29 atendimentos.

A equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde ainda destaca um dado alarmante: cerca de 90% dos abusos envolvem pessoas próximas, como pais, padrastos e avós, e chegam a vitimizar bebês de apenas um ano. A administração municipal explica que, para contornar a dificuldade de verbalização dos traumas, os profissionais recorrem a abordagens lúdicas. Desenhos e pinturas funcionam como instrumentos terapêuticos essenciais na condução do tratamento.



Do físico ao digital 

Além do núcleo familiar, o perigo migrou para as telas. A Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Infantojuvenil (Ceviss) aponta a internet como o novo desafio das autoridades.

As políticas públicas foram estruturadas para o mundo físico, mas a exploração migrou para as redes sociais e jogos online. O ECA Digital vem para fortalecer esse enfrentamento”, explica a coordenadora do colegiado, Christiane Andréa.

Ela lembra que a data nacional foi criada em alusão ao Caso Araceli. Conforme detalhado na cartilha do Maio Laranja, em 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Crespo, de oito anos, desapareceu e, seis dias depois, seu corpo foi localizado num terreno baldio, próximo ao centro da cidade de Vitória, Espírito Santo.

"A menina foi espancada, estuprada, drogada e morta. Seu corpo foi desfigurado com ácido. À época do crime, os policiais ouviram diversas versões sobre o ocorrido e após o julgamento e a absolvição dos suspeitos, o processo do Caso Araceli foi arquivado pela Justiça", revela a cartilha da campanha.



Rede de apoio 

Para garantir o acolhimento preventivo, a prefeitura santista mantém iniciativas intersetoriais, amparadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A rede integrada inclui:



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