Restrição do DER a caminhões acima de 23 toneladas, na ponte sobre o rio Maranduba, força desvio por vias internas sem estrutura, afirma entidade
Lucas Santos
Publicado em 13/11/2025, às 13h33
Uma restrição imposta pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) à ponte sobre o rio Maranduba, em Ubatuba, preocupa o setor comercial da cidade. Caminhões com mais de 23 toneladas foram proibidos de passar pela ponte, localizada no km 77,8 da rodovia SP-55, já que a estrutura estaria com rachaduras.
Por isso, diversos produtos que deveriam chegar à cidade por meio caminhões mais pesados, têm que ser transportados por outras rotas, consideradas inviáveis. Em resposta, a Associação Comercial de Ubatuba (ACIU) enviou ofício a todos os deputados federais e estaduais do estado de São Paulo, cobrando respostas imediatas.
No documento, enviado para 87 deputados estaduais e 57 federais do estado, a associação aponta que a prefeitura de Ubatuba orientou o tráfego por ruas internas do bairro Araribá, mas as vias estreitas e sem estrutura adequada têm causado transtornos a moradores, especialmente idosos e pessoas doentes.
A entidade afirma que três pontes das rotas alternativas, projetadas apenas para veículos leves, passaram a apresentar novos desgastes e rachaduras após a circulação de carretas que podem chegar a 50 ou 70 toneladas quando carregadas.
Segundo a associação, moradores chegaram a iniciar a organização de um protesto previsto para 17 de outubro, no portal de entrada da cidade, no bairro Tabatinga. A manifestação não ocorreu após o DER liberar a SP-55 no sistema “pare e siga”, medida considerada paliativa pela entidade.
No ofício, a ACIU também critica a paralisação das obras da segunda ponte sobre o rio Maranduba, iniciada pelo DER e posteriormente abandonada, e pede a retomada imediata do projeto.
A associação afirma que há risco estrutural iminente nas pontes internas, e alerta para impacto regional, já que cidades como Paraty e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, dependem da rota para abastecimento. O documento solicita liberação urgente de recursos para a manutenção da ponte principal e para restabelecer o tráfego normal de carretas pela SP-55.
Em entrevista ao Jornal Costa Azul, o presidente da ACIU, Adriano Klopfer, afirmou: “Nós começamos a receber muitos pedidos dos comerciantes e caminhoneiros, falando que têm que ajudar a fazer alguma coisa, porque se esse local fechar para cargas mais pesadas, tem comerciante que teria que ir até Volta Redonda [Rio de Janeiro] para voltar para Ubatuba”.
Ele destacou ainda os efeitos imediatos na logística: “Tem muita carga que vem de longe e, quando chega aqui, aquele caminhoneiro é surpreendido com essa situação. E aí o que ele vai fazer? Ele não tem como voltar, não tem como avançar…”. Para Klopfer, o risco é crítico: “É algo muito emergencial, para uma ou duas semanas. Uma carreta passando em cima daquela ponte, vai perder a ponte e vai perder a carreta”.
Em nota enviada ao Costa Norte, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) afirmou que todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para garantir a segurança na ponte sobre o rio Maranduba.
A restrição a veículos acima de 23 toneladas seguirá vigente até a conclusão da solução definitiva, atualmente “em andamento”, segundo o órgão. O limite não vale para prestadores de serviços essenciais, desde que sigam o procedimento de autorização previsto na Portaria SUP/DER-058, de 25 de outubro de 2011.
O DER informou que a circulação na ponte ocorre em “pare e siga”, com monitoramento contínuo, e que as orientações técnicas foram repassadas à prefeitura. O órgão destacou também que reforçou a estrutura da ponte e prepara a retomada das obras da segunda ponte sobre o rio Maranduba, além de melhorias na ponte sobre o rio Arapirá.
Prestadores de serviços essenciais que necessitem trafegar com cargas acima do limite devem enviar requerimento eletrônico à Coordenadoria Regional do DER, em Cubatão, com documentação do responsável e do veículo.
A reportagem tentou contato com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e com a prefeitura de Ubatuba, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
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