Mandados são executados na Baixada Santista como parte de ação que investiga fraude em combustíveis e lavagem de dinheiro
Redação
Publicado em 25/09/2025, às 15h55
Uma ofensiva nacional contra adulteração e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, denominada Operação Spare, cumpriu mandados de busca e apreensão em Bertioga, no litoral de São Paulo. A operação ocorreu nas primeiras horas desta quinta-feira (25) e está ligada à Operação Carbono Oculto.
Em Bertioga, houve execução de ao menos um mandado de busca e apreensão vinculado à chamada operação Tank, braço complementar ao trabalho de repressão ao esquema maior.
Além de Bertioga, a cidade de Santos também foi alvo da operação; agentes cumpriram ordens judiciais contra duas pessoas físicas consideradas suspeitas de integrar o esquema que envolvia adulteração, fraude fiscal e lavagem de ativos. Outras cidades alvos da operação foram a capital paulista, Santo André, Barueri, Campos do Jordão e Osasco.
No âmbito da fraude, unidades de Santos e Bertioga tinham papel estratégico no repasse financeiro por meio de maquininhas de cartão, que operavam como canais de transferência de recursos não rastreáveis. O volume financeiro movimentado entre 2020 e 2024, por mil postos investigados no país, chega a R$ 52 bilhões, com uma fintech sozinha responsável por movimentar R$ 46 bilhões nesse período.
Segundo as investigações, o núcleo criminoso operava desde a importação ilegal de metanol e nafta até a adulteração de gasolina e diesel em postos de combustíveis. A operação também mira fundações e fundos de investimento usados para ocultar a titularidade dos valores; bloqueios judiciais já recaíram sobre bens de investigados para garantir créditos tributários.
Ao lado de representantes de outros órgãos públicos, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, e o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Silvio Loubeh detalharam a Operação Spare em entrevista coletiva à imprensa, nesta quinta-feira (25).
Segundo o procurador-geral de Justiça, "as facções criminosas passaram muito tempo priorizando o tráfico de entorpecentes, mas novas estruturas têm possibilitado que elas atuem em outras frentes, inclusive, na economia formal e no ambiente político".
Ele destacou a necessidade de uma atuação integrada entre as instituições de controle, para coibir práticas adotadas pelo crime não apenas em São Paulo, mas também em outros pontos do país.
Por sua vez, Loubeh explicou que o início da Operação Spare ocorreu a partir da apreensão, em casas de jogos na Baixada Santista, de máquinas de crédito e débito. "Investigando as empresas que recebiam esses recursos, identificamos dois postos de combustíveis envolvidos com lavagem de dinheiro", relatou.
Ainda de acordo com o promotor, as apurações levaram a uma fintech para a qual era dirigido todo o montante auferido pelo esquema. "A partir daí, identificamos um grupo criminoso responsável pelo branqueamento de capitais não só por meio dos dois postos. Os envolvidos controlavam também outros estabelecimentos no setor de combustíveis, uma rede de motéis e empresas de fachada que movimentaram milhões de reais", explicou.
O procurador-geral adjunto do estado de São Paulo, Caio Cesar Guzzardi da Silva, informou que o órgão tem trabalhado para combater a fraude fiscal estruturada e garantir aos cofres públicos recursos que deveriam ter sido recolhidos. "Atuamos no sentido de bloquear bens para que o dinheiro chegue ao estado de São Paulo na forma de políticas públicas".
Márcia Mendes, superintendente da Receita Federal em São Paulo, disse que a diversidade dos setores infiltrados pelo crime organizado tem exigido um trabalho preventivo que feche brechas para práticas espúrias. "A atuação conjunta tem sido a melhor forma de avançarmos na persecução desse tipo de conduta ilícita", asseverou.
Por fim, o comandante do policiamento de choque, coronel Valmor Racorti, fez um balanço da operação até o momento. Segundo ele, foram apreendidos quase R$ 1 milhão em espécie, 20 celulares, computadores e uma arma de fogo.
O nome 'Spare', que batiza a operação desta quinta-feira, foi retirado do boliche. Um spare ocorre quando o jogador derruba todos os pinos após os dois arremessos de uma mesma rodada. No contexto do combate à organização criminosa, a Operação Carbono Oculto representaria o primeiro arremesso, e a operação de hoje, o segundo, que conclui objetivo inicial, segundo o Ministério Público.
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