Investigação da Polícia Civil aponta esquema interestadual que simula roubos em condomínio residencial para fraudar seguradoras
Redação
Publicado em 20/07/2026, às 16h51
Policiais civis da Delegacia de Polícia Sede de Guarujá deflagraram a Operação Miragem, na manhã desta segunda-feira (20). A iniciativa visa desarticular uma organização interestadual especializada em fraudes contra uma grande instituição financeira e securitária, no litoral paulista. O grupo utilizava falsos registros de ocorrência e outros mecanismos fraudulentos.
A ação começou após a identificação de 33 boletins de ocorrência de roubo. As notificações foram registradas em um intervalo de pouco mais de 40 dias, todas relacionadas a um único condomínio residencial no Guarujá.
De acordo com a polícia, a concentração desses registros era incompatível com o histórico e os padrões de segurança do local, o que motivou o aprofundamento das apurações e revelou o esquema estruturado.
Nesta primeira fase da investigação, as equipes identificaram 34 investigados distribuídos por seis estados da Federação e 12 municípios. Os policiais localizaram 57 endereços distintos vinculados aos envolvidos.
Em razão das diligências, o Poder Judiciário deferiu o cumprimento de 57 mandados de busca e apreensão, o que possibilitou a execução simultânea das medidas em todos os locais mapeados.
As investigações apontam que o grupo utilizava a delegacia eletrônica para formalizar os falsos registros de crimes. O procedimento servia para conferir aparência de legitimidade a pedidos fraudulentos de indenização e a outras fraudes praticadas contra o sistema financeiro e o mercado securitário.
Para os investigadores, a identificação de múltiplos endereços associados a diversos investigados evidencia o elevado grau de organização, mobilidade e articulação do grupo.
Além dos expressivos prejuízos econômicos causados às empresas privadas, as fraudes produzem reflexos diretos sobre a segurança pública na Baixada Santista. Registros falsos de crimes passam a integrar as estatísticas oficiais e distorcem os indicadores de criminalidade.
Esse cenário compromete os mapas de calor utilizados no planejamento operacional e pode ocasionar o direcionamento inadequado de efetivos policiais e recursos públicos para regiões onde os crimes comunicados jamais ocorreram.
Ação também busca dimensionar a extensão dos prejuízos causados, identificar a estrutura hierárquica e responsabilizar todos os envolvidos, desde os executores diretos até os responsáveis pelo recrutamento, financiamento, coordenação e gerenciamento do esquema.
As apurações prosseguem com o objetivo de alcançar os líderes e financiadores, além de ampliar o rastreamento patrimonial. Os resultados das diligências serão divulgados após a consolidação das buscas e a análise técnica do material apreendido.
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