ONU exige justiça e reparação do Brasil pelos Crimes de Maio

Organização das Nações Unidas cobra responsabilização do Estado por mais de 500 mortes ocorridas em São Paulo no ano de 2006

Redação
Publicado em 02/06/2026, às 10h58

Ofensiva entre facção e agentes do estado resultou na morte de centenas de civis e policiais em São Paulo - Paulo Pinto/Agência Brasil


Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceram os Crimes de Maio de 2006 como uma grave violação de direitos humanos. Em comunicado divulgado na última sexta-feira (29), os representantes cobraram a responsabilização do estado brasileiro sobre o caso.

Ocorridos há 20 anos, os Crimes de Maio começaram com rebeliões em mais de 700 presídios do estado de São Paulo. A crise ocorreu após a transferência de mais de 760 detentos, entre eles, líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), para um presídio de segurança máxima.

Nos dias seguintes, a ofensiva chegou às ruas com uma série de ataques entre a facção e agentes do estado. O conflito resultou na morte de mais de 500 pessoas em todo o território paulista. Grande parte dos óbitos apresentou indícios de execução por parte de policiais.



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Segundo relatório do Laboratório de Análises da Violência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 59 dos mortos eram agentes públicos e 505 eram civis. A maioria das vítimas civis era negra, jovem e pobre. Os crimes continuam impunes.

Apelo e omissão

Em maio deste ano, a organização Conectas Direitos Humanos e o Movimento Independente Mães de Maio enviaram um apelo urgente à ONU para denunciar a omissão do estado brasileiro em relação ao episódio.



No documento, as entidades solicitaram que o estado de São Paulo garanta o direito à memória, à verdade, à reparação e a não repetição de ocorrências violentas. As instituições afirmam: “Nenhuma dessas execuções foi devidamente esclarecida, nenhum agente do Estado foi responsabilizado e tampouco as famílias das vítimas receberam reparação adequada”.

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Ao analisar o pedido, os especialistas da ONU declararam que os Crimes de Maio não devem estar sujeitos a prazos de prescrição. Os representantes disseram: "O número muito reduzido de condenações até o momento aprofundou a impunidade e minou o direito à verdade”.



Para a ONU, negar acesso à Justiça com base no prazo de prescrição agrava o sofrimento das famílias. A medida também reforça a impunidade do racismo sistêmico e da violência racializada por parte das autoridades policiais brasileiras.

Os especialistas recomendam: “Não podemos permitir que esse ciclo continue. O pleno acesso à Justiça e a recursos eficazes, investigações confiáveis sobre mortes ilegais com base em padrões internacionais, em particular o Protocolo de Minnesota, para garantir a plena responsabilização, reparações para as vítimas e garantias de não repetição, são essenciais para romper o ciclo de violência e cumprir as obrigações internacionais”.

Tribunal popular e governo de SP

Mães e familiares de vítimas lançaram a segunda fase do Tribunal Popular em maio. A iniciativa julga de forma simbólica o estado brasileiro pelos crimes cometidos em 2006. O projeto prevê ações para combater a violência policial.



Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) declarou que as ocorrências de morte decorrentes de intervenção policial no estado são investigadas com rigor, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Judiciário. A pasta ressalta: "As circunstâncias de cada caso são analisadas de forma individualizada, com base em elementos técnicos e periciais”.

Com informações - Agência Brasil

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