Litoral de SP é alvo de operação contra infiltração do PCC no transporte público estadual

Um dos presos é o empresário Danilo Morgado (PL), ex-candidato a prefeito de Praia Grande, e candidato a deputado estadual pelo estado

Rodrigo Florentino
Publicado em 17/09/2026, às 08h54

Ação envolve Polícia Civil e Ministério Público - Reprodução/Policia Civil


A Polícia Civil do Estado de São Paulo e o Ministério Público paulista deflagraram, na manhã desta quinta-feira (17), a operação Vectura Corrupta. A ofensiva policial e jurídica investiga um esquema complexo de lavagem de dinheiro que liga a organização Primeiro Comando da Capital (PCC) a empresas de transporte público de passageiros. A força-tarefa cumpre 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão.

No litoral de São Paulo, as equipes cumprem as ordens judiciais nos municípios de Santos, Praia Grande e Cubatão. Na capital e na região metropolitana, as diligências ocorrem na cidade de São Paulo, em São Bernardo do Campo, Santana de Parnaíba e Diadema.

Em outras locais, as diligências são efetuadas em São Paulo (capital), São Bernardo do Campo, Santana de Parnaíba e Diadema. Um dos alvos presos é o empresário e político Danilo Morgado (PL).



Ele concorreu ao cargo de prefeito do município de Praia Grande nas eleições de 2020 e 2024, além de disputar uma vaga como deputado estadual. A informação foi dada primeiramente pelo site G1 São Paulo e confirmada pela equipe de Morgado.

Por meio de nota oficial divulgada em suas redes sociais, a equipe do investigado alegou que Morgado é “alvo de perseguição”. O comunicado questionou o momento da ofensiva, executada um dia antes do início do período que proíbe a prisão de candidatos eleitorais, e ressaltou que a defesa espera que os fatos passem por apuração profunda para que tudo seja esclarecido em breve.

Outro alvo da investigação é o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil). Segundo a GloboNews, o político não foi encontrado em sua residência, foi considerado foragido e disse, por meio de nota, que estava viajando, negando a condição de foragido.



“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou o ex-vereador.

Histórico da investigação

As investigações apontam que a maior parte dos alvos ocupava posições de comando dentro da facção. A estrutura identificada pelas autoridades aponta também o envolvimento direto de advogados e agentes políticos no esquema.

O desdobramento atual surge a partir de provas obtidas na operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 para desarticular o capital financeiro oriundo do tráfico de drogas. Naquela fase, os investigadores identificaram uma rede de comunicação sofisticada, estruturada para conectar os líderes que cumprem pena no sistema prisional aos membros que operam nas ruas.



O sistema funcionava por meio de núcleos internos chamados de “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”. As apurações da inteligência policial revelaram o planejamento da facção para inserir membros como candidatos nas eleições municipais.

A engrenagem de lavagem de recursos ilícitos dependia, ainda, da utilização de pelo menos 12 empresas de transporte coletivo, com garagens distribuídas entre a capital e cidades do interior.

Alguns dos investigados detinham participação direta nos negócios, usados como fachadas para limpar o dinheiro do crime.



Quem é o alvo Danilo Morgado

O empresário Danilo Morgado possui um histórico recente de embates na Justiça Eleitoral paulista. Derrotado nas disputas pela prefeitura de Praia Grande em 2020 e 2024, ele obteve uma vitória judicial no dia 11 de novembro, quando o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) deferiu o seu registro de candidatura a deputado estadual.

Em 31 de agosto, o mesmo tribunal havia barrado a candidatura por causa da ausência de comprovação de pagamento ou de acordos de parcelamento referentes a três multas contraídas por Morgado na campanha de 2022.

No recurso apresentado, a defesa comprovou documentalmente que as sanções financeiras cumpriam parcelamentos aprovados e homologados pela Justiça. Com as provas, a Corte acolheu o pedido e reformou a decisão anterior que impedia a participação no pleito deste ano.



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