Acusado havia sido preso preventivamente em Santos, em outubro do ano passado, após denúncia de vítima de Caraguatatuba
Reginaldo Pupo
Publicado em 02/06/2026, às 02h00
O jovem que foi preso em outubro do ano passado em Santos, acusado de praticar diversos golpes amorosos em vários estados, foi condenado a dois anos e seis meses de prisão pela 1ª Vara Criminal de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. A condenação e refere a um processo motivo por sua ex-namorada, residente na mesma cidade. A sentença foi publicada nesta segunda-feira (1).
De acordo com a decisão do juiz Júlio da Silva Branchini, a reclusão será em regime inicial semiaberto. O réu responderá a esta fase do processo em liberdade, podendo recorrer da sentença fora da prisão.
Apesar de a denúncia do Ministério Público incluir o crime de ameaça no contexto de violência de gênero, o jovem foi absolvido desta acusação específica. "O modus operandi empregado revela sofisticado ardil, consistente na exploração da relação afetiva, na criação de falsa imagem de solvência financeira e na indução reiterada da vítima", destacou o juiz na decisão.
A sentença determinou ainda que o pedido do Ministério Público para fixação de um valor mínimo de indenização imediata à vítima fosse negado neste momento, orientando que a reparação seja discutida na esfera cível.
Em sua defesa no processo, o condenado negou o crime, alegando que os valores recebidos foram “doações voluntárias por mera liberalidade" e que a confissão de dívida teria sido assinada sob pressão psicológica. O argumento foi rechaçado pelo magistrado.
"A sentença demonstra que relacionamentos afetivos não podem servir de escudo para prática de crimes patrimoniais que além de prejuízos financeiros, também causam profundo impacto emocional", afirma a advogada Isabella Commans, que defende a vítima de Caraguatatuba.
A defesa de Matheus informou que irá recorrer da condenação criminal em primeira instância. "Não houve comprovação de vítimas a não ser o processo em referência. As mulheres somente prestaram declarações e o Ministério Público dispensou a única testemunha de acusação", afirma a advogada Simone Peterle, advogada do jovem. "Outro ponto a esclarecer é que mesmo sendo solicitado para juntarem as provas no inquérito, nada foi juntado. Dessa forma, acredito na absolvição do meu cliente”.
O homem se passava por estudante de medicina e filho de família influente quando foi preso na noite de 8 de outubro do ano passado por policiais do Deic (Delegacia da Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Santos, acusado de aplicar série de golpes em mulheres de vários estados.
A delegacia santista havia cumprido mandado de prisão após a abertura de um inquérito feito pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Caraguatatuba, após registro de ocorrência de uma vítima. O Ministério Público também formalizou uma denúncia.
Em Caraguatatuba, o homem teria feito uma de suas vítimas, que seria sua ex-namorada. Ela teria levado um golpe de cerca de R$ 100 mil. Segundo a Polícia Civil, “o investigado vitimou mulheres em relações íntimas de afeto, em mais de um estado da federação, em caráter serial, em mesmo padrão criminal".
Segundo a vítima que registrou boletim de ocorrência em Caraguatatuba, o jovem estaria de posse de 11 cartões de crédito e dois celulares no momento da prisão.
O Deic de Santos, com base em informações recebidas pelo serviço de inteligência da Polícia Civil, revelou indícios de que o acusado pretendia fazer novas vítimas em cidades da Baixada Santista.
A Polícia Civil informou que após estabelecer vínculos afetivos, “o réu teria aplicado golpes financeiros, incluindo transferências indevidas, uso de cartões de crédito e falsas promessas de investimento. Há relatos de prejuízos consideráveis em relação às vítimas, além de medidas protetivas solicitadas por ex-companheiras”. O crime de estelionato sentimental é uma das formas de violência patrimonial e psicológica previstas na Lei Maria da Penha.
As supostas vítimas teriam o mesmo perfil. Seriam estudantes de medicina ou profissionais bem-sucedidas com idades entre 23 e 32 anos. Elas relataram que caíram na conversa do acusado, que é natural de Fernandópolis, interior de São Paulo.