Nova versão de golpe consiste em obter biometria facial das vítimas, para invadir contas bancárias, transferir dinheiro e solicitar empréstimos
Lenildo Silva
Publicado em 11/10/2024, às 15h46
Se você receber a visita de um motoboy, ou mensagens de uma empresa sob a alegação de que um funcionário fará uma entrega, mas, em ambos os casos, para concluir o recebimento é preciso uma selfie (foto de si mesma) com o celular da empresa, tome cuidado, pois você está prestes a cair no ‘golpe da biometria facial’. Só esta semana, criminosos tentaram aplicar este tipo de golpe em ao menos duas vítimas, em Bertioga, no litoral de São Paulo, conforme apurado pela reportagem.
Utilizando-se de falsas entregas, os golpistas solicitam uma "foto de confirmação" das vítimas, com a intenção de invadir contas bancárias para transferir dinheiro ou solicitar empréstimos. Em um dos casos, uma dona de casa, de 47 anos, moradora do bairro Maitinga, relatou à polícia que recebeu mensagens, via WhatsApp, na terça-feira (8), de um número que se passava por uma empresa de transporte, na qual informaram que uma encomenda seria entregue em sua residência.
Mesmo afirmando que não havia solicitado qualquer produto, a dona de casa conta que, um suposto entregador, que utilizava uma motocicleta sem placa, chegou com a encomenda e pediu uma foto do rosto para "comprovar a entrega". Desconfiada, a mulher não fez autorizou e, ainda, conseguiu registrar a imagem do motoboy; ela registrou boletim de ocorrência.
Outro caso semelhante ocorreu com outra vítima, moradora do centro, um dia depois. Uma empresária, que não quis de identificar, relatou que recebeu mensagem de um contato identificado com o nome da empresa de entrega e logística Lalamove, na quarta-feira (9), a qual informava sobre uma encomenda pendente e que um motoboy entregaria o objeto, mas ela teria que tirar uma foto para concluir a encomenda.
De acordo com a vítima, a suposta empresa alegava que a foto era necessária para "comprovar o recebimento", já que muitas encomendas estariam sendo recebidas sem confirmação.
Desconfiada, a mulher pediu que a entrega fosse no endereço de seu trabalho. O motoboy não chegou a comparecer, mas os golpistas detinham informações, como nome completo, telefone e endereço da vítima. O portal Costa Norte tentou contato com a empresa, mas, até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou, em nota, que esse tipo de golpe é uma variação das diversas fraudes nas quais os criminosos utilizam dados pessoais para enganar as vítimas, prometendo brindes, ou presentes, para obter informações bancárias.
As fraudes não se limitam apenas às fotos. Algumas vítimas são induzidas a pagar taxas de entrega por meio de maquininhas de cartão adulteradas, nas quais o valor cobrado é superior ao informado. Outra técnica é o uso de fitas adesivas nos aparelhos celulares, para impedir que a vítima perceba que está fazendo uma autenticação biométrica, o que permite que os golpistas acessem suas contas bancárias.
Para evitar ser vítima desses golpes, a Febraban recomenda que a população nunca forneça fotos ou dados pessoais sem a devida verificação, especialmente, em casos de entregas não solicitadas. Também é essencial verificar o valor em maquininhas, antes de inserir o cartão, e jamais realizar transações em aparelhos com visor danificado.
A Febraban ressaltou que o sistema bancário brasileiro “investe fortemente em tecnologia e segurança para proteger os clientes. Em 2024, a previsão é de um investimento de R$ 48 bilhões na área, com 10% destinados à prevenção de fraudes. Além disso, bancos trabalham em colaboração com as forças policiais para identificar e punir os responsáveis por esses crimes”.
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