Pesquisa da USP descobre que estruturas da aorta alertam o cérebro sobre infecções, ligando sistemas cardiovascular e imunológico
Redação
Publicado em 01/09/2026, às 15h42
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e divulgado no mês de junho, demonstrou que estruturas responsáveis por monitorar a pressão arterial também funcionam como um radar de inflamação no corpo.
A descoberta, com potencial futuro de embasar novos tratamentos para pacientes de todo o país, revela uma comunicação inédita entre os sistemas cardiovascular, nervoso e imunológico.
Fernanda Brognara, pesquisadora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e primeira autora do trabalho, explica:
O mecanismo funciona o tempo todo e de forma muito rápida. Se uma pessoa leva um susto repentino, por exemplo, a pressão arterial aumenta subitamente, estirando os vasos sanguíneos. Os barorreceptores detectam essa alteração e, por meio do nervo depressor aórtico, enviam um sinal ao sistema nervoso central, que faz os ajustes necessários para trazer a pressão arterial de volta ao normal em poucos segundos”.
A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), induziu quadros de inflamação em ratos. Durante o experimento, a atividade elétrica do nervo depressor aórtico aumentou significativamente.
Como a pressão dos animais havia caído, a atividade do nervo deveria diminuir; o aumento provou que a estrutura estava reagindo ao quadro infeccioso, atestando sua dupla função.
Sobre a mudança de paradigma, a pesquisadora ressalta: “Até então, acreditávamos que esse sistema servia apenas para informar ao cérebro como estava a pressão arterial. O que conseguimos demonstrar é que ele também detecta sinais de inflamação. É uma mudança importante na forma como entendemos a função dessas estruturas”.
De acordo com a autora, o próximo passo da equipe é compreender como o cérebro modula essas respostas na sequência do recebimento do alerta imunológico, pavimentando o caminho para futuras terapias humanas.
*Com informações da Fernanda Bassette, da Agência Fapesp