Mancha branca na foto com flash? Sinal nos olhos alerta para câncer infantil raro

Doença atinge principalmente crianças pequenas; presença de mancha em fotografia não significa necessariamente que a criança tenha câncer

Geilton Junior
Publicado em 17/09/2026, às 08h36

Retinoblastoma é um tipo raro de câncer ocular que afeta principalmente crianças pequenas e pode ser identificado por sinais como o reflexo branco na pupila - Divulgação/Hospital do GRAAC


O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma, celebrado em 18 de setembro, chama a atenção para um tipo raro de câncer que atinge principalmente crianças pequenas. A doença se desenvolve na retina e, quando identificada ainda nos estágios iniciais, apresenta altas taxas de cura e maiores possibilidades de preservação do olho e da visão.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o retinoblastoma é o tumor maligno intraocular mais comum na infância. A doença está relacionada a alterações no gene RB1 e não possui, atualmente, uma forma conhecida de prevenção. Por isso, a identificação dos primeiros sinais e o acesso rápido à avaliação médica são considerados fundamentais.

O câncer costuma aparecer nos primeiros anos de vida. De acordo com o Hospital do GRAACC, cerca de 95% dos casos ocorrem em crianças de até 5 anos. A instituição informa ainda que, entre os 405 novos casos oncológicos atendidos pelo hospital em 2025, 56 eram de retinoblastoma.



O principal sinal de alerta é a leucocoria, conhecida como “reflexo do olho de gato”. Trata-se de um reflexo branco que pode aparecer na pupila da criança quando ela é exposta à luz. Em alguns casos, a alteração fica mais evidente em fotografias feitas com flash, quando um dos olhos apresenta um brilho branco diferente do reflexo esperado. Segundo o GRAACC, esse sinal aparece em mais de 60% dos casos de retinoblastoma.

A presença de uma mancha branca em uma fotografia, porém, não significa necessariamente que a criança tenha câncer. A Fiocruz alerta que a leucocoria pode estar relacionada a diferentes alterações oculares e, por isso, deve ser investigada por um profissional de saúde. O mesmo vale para mudanças persistentes no alinhamento dos olhos.

Outro sinal que merece atenção é o estrabismo, quando os olhos não parecem apontar para a mesma direção. O INCA também cita redução da acuidade visual, sensibilidade exagerada à luz e, em casos mais avançados, aumento do tamanho do olho, glaucoma, dor ocular e proptose, caracterizada pelo deslocamento do olho para frente.



A orientação dos especialistas é que alterações nos olhos de bebês e crianças pequenas não sejam acompanhadas apenas em casa. O teste do reflexo vermelho, conhecido popularmente como teste do olhinho, é recomendado para todos os recém-nascidos no Brasil antes da alta da maternidade. O exame é rápido e pode ajudar na identificação de alterações oculares, entre elas o retinoblastoma.

O exame, no entanto, não substitui a avaliação oftalmológica quando existe alguma alteração. O INCA destaca que o diagnóstico pode envolver exame oftalmológico com dilatação da pupila, avaliação do fundo de olho, ultrassonografia ocular e, em determinadas situações, ressonância magnética para verificar a extensão da doença.

A atenção deve continuar mesmo quando não há sintomas aparentes. O GRAACC recomenda que crianças sejam avaliadas por um oftalmologista durante o primeiro ano de vida. A instituição destaca que o acompanhamento dos olhos desde os primeiros meses pode contribuir para a identificação de alterações em uma fase em que o tratamento apresenta melhores possibilidades de controle da doença.



Tratamento depende do estágio da doença

O tratamento do retinoblastoma é definido de acordo com características como idade da criança, localização e extensão do tumor e se um ou os dois olhos foram afetados. O objetivo inicial é preservar a vida, seguido pela tentativa de preservar o olho e, quando possível, a visão.

Entre as alternativas estão quimioterapia intravenosa, quimioterapia intra-arterial e intravítrea, laser, crioterapia, braquiterapia, radioterapia e cirurgia. Em situações avançadas, pode ser necessária a enucleação, procedimento que consiste na retirada do globo ocular.

Uma das técnicas utilizadas em centros especializados é a quimioterapia intra-arterial. Segundo o GRAACC, o procedimento utiliza um microcateter para levar o medicamento diretamente à artéria oftálmica, permitindo uma concentração elevada da medicação na região do tumor. A instituição afirma que utiliza a técnica há mais de dez anos.



O diagnóstico enquanto o tumor ainda está restrito ao olho é um dos principais fatores relacionados ao resultado do tratamento. O INCA informa que, quando diagnosticado precocemente, o retinoblastoma pode apresentar remissão em cerca de 90% dos casos. Quando a doença avança para fora do olho, o tratamento se torna mais complexo e pode haver comprometimento de outras estruturas do organismo.

Por isso, a orientação aos pais e responsáveis é observar mudanças nos olhos da criança e procurar atendimento diante de sinais suspeitos. Reflexo branco na pupila, estrabismo persistente, dificuldade visual, olho avermelhado ou aumentado e dor ocular não devem ser ignorados.

A identificação de qualquer um desses sinais não confirma a presença de retinoblastoma, mas indica a necessidade de avaliação especializada. A investigação rápida pode fazer diferença para o início do tratamento e para a preservação da visão e da saúde da criança.





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