Pediatras alertam para uso de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes

Sociedade Brasileira de Pediatria aponta perigos do uso sem acompanhamento e orienta fim do termo popular para não banalizar o tratamento

Redação
Publicado em 24/08/2026, às 11h46

Segundo o comunicado, a automedicação aumenta a frequência e a gravidade de eventos adversos - Divulgação/Receita Federal


A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma nota de alerta sobre o uso, sem indicação e sem acompanhamento médico, de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

O foco da preocupação recai sobre o uso indiscriminado por crianças e adolescentes. De acordo com o comunicado, a automedicação aumenta a frequência e a gravidade de eventos adversos.

A entidade destaca que a utilização com finalidade estética serve de gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de induzir ansiedade e quadros depressivos associados à imagem corporal.



Riscos e efeitos colaterais

Os pediatras apontam que as reações adversas mais comuns desse tipo de medicamento são gastrointestinais, especialmente durante a fase de aumento da dose. Entre os sintomas listados pela SBP estão:

O uso sem acompanhamento especializado também causa déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, distúrbios eletrolíticos e perda de massa muscular. 

Casos potencialmente mais graves incluem pancreatite aguda, problemas na vesícula (colelitíase) e hipoglicemia.



A SBP contraindica a aplicação por gestantes, lactantes, pessoas com hipersensibilidade aos componentes e pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide.

O uso de produtos sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ou de origem clandestina, também é totalmente rejeitado pela entidade.

Tratamento consciente

O documento enfatiza que esses medicamentos não devem servir a adolescentes com peso adequado que buscam apenas modificar a aparência ou atingir padrões estéticos. A prescrição é voltada para diagnósticos específicos de obesidade e diabetes tipo 2, e não ocorre de forma automática.



O médico precisa avaliar a resposta do paciente a intervenções anteriores, a gravidade da doença e as expectativas familiares.

Por fim, a SBP recomenda substituir o termo popular “canetas emagrecedoras” por “medicamentos para tratar a obesidade”.

A mudança reconhece a obesidade como doença crônica, evita a banalização do tratamento e deixa claro que o objetivo principal é melhorar a saúde e a qualidade de vida.



Com informações da Agência Brasil

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