Fonoaudióloga explica quando a alteração vocal deixa de ser apenas um sintoma de gripe e passa a exigir acompanhamento de especialistas

A voz é uma ferramenta essencial para a comunicação, mas alterações comuns, como a rouquidão, muitas vezes são ignoradas. Embora o sintoma surja frequentemente após gripes e resfriados, a persistência do problema exige atenção especializada para evitar lesões nas pregas vocais.
Durante o quadro "Além da Voz", do Jornal Litoral, a fonoaudióloga Raquel Miranda detalhou as causas mais frequentes do problema. A especialista explica que, em quadros infecciosos ou respiratórios, o sintoma costuma ser temporário. "A nossa prega vocal vai ficar um pouquinho inchada. Então isso vai mudar as características da qualidade vocal", afirma.
Nesses casos, a voz adquire um tom abafado ou mais grave, mas a situação regride à medida que o paciente se recupera.
O sinal de alerta surge quando o sintoma se prolonga. Raquel Miranda adverte sobre o prazo limite para buscar ajuda. "Uma atenção [deve ocorrer] quando essa rouquidão persiste por mais de 15 dias. Aí a gente tem que prestar atenção no que está acontecendo", orienta a fonoaudióloga.
Nessas situações, a recomendação é procurar um médico otorrinolaringologista para examinar a estrutura da laringe, além de um fonoaudiólogo para avaliar o uso e a produção vocal do paciente.
Outro ponto abordado na entrevista é o hábito de sussurrar para tentar "poupar" a garganta durante a rouquidão. A fonoaudióloga desmistifica a prática e alerta que o sussurro excessivo prejudica a recuperação.
"Se você sussurrar por muito tempo, ou de forma exagerada, isso pode trazer um esforço de prega vocal, muda a vibração e aí não é muito adequado", conclui Raquel. O ideal, segundo a especialista, é manter o repouso vocal sem forçar a emissão de som.
*Com informações do jornalista Thiago Dantas, para o quadro Além da Voz, da TV Cultura Litoral e Vale.