Venda sem receita médica e anúncios falsos na internet expõem pacientes aos efeitos adversos severos das canetas emagrecedoras
Redação
Publicado em 20/07/2026, às 14h19
A busca pelo emagrecimento rápido tem impulsionado o uso indiscriminado de medicamentos injetáveis, como Mounjaro e Ozempic, originalmente indicados para o tratamento do diabetes tipo 2. O uso dessas canetas emagrecedoras sem orientação médica, no entanto, pode trazer consequências graves à saúde.
A endocrinologista Dinah Politi Fernandes explica que a medicação age no controle do açúcar no sangue e auxilia na perda de peso. A especialista alerta para os riscos da automedicação:
O diabetes é relacionado ao aumento de açúcar no sangue e ao ganho de peso. Nós usamos para o tratamento da obesidade, fora da bula, e recentemente foi liberada para o tratamento da apneia do sono. Por ter diversos benefícios, chama muita atenção dos pacientes".
Com o aumento da demanda, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alertas sobre golpes na internet, que envolvem anúncios falsos em sites que simulam plataformas oficiais e oferecem o produto por preços muito abaixo do mercado ou até de graça.
A endocrinologista reforça o perigo dessas fraudes e do uso inadequado: "Por chamar muita atenção, as pessoas pagam qualquer preço. Nem sempre aquilo que é vendido é a medicação. Temos que ter cuidado porque profissionais não médicos têm prescrito essa medicação, e isso não é o correto. Os pacientes acabam encontrando orientações com influenciadores e blogueiros, sendo que o tratamento é realmente individualizado".
Para adquirir o medicamento de forma segura, a apresentação da receita médica é obrigatória nas farmácias. A farmacêutica Larissa dos Santos Magro relata que tentativas de compra sem o documento são frequentes.
Larissa destaca os riscos do uso sem supervisão: "Acontece bastante de virem comprar sem a receita. Nós alertamos que é um medicamento com efeitos adversos, como náuseas e perda de massa muscular, então é necessário que o paciente realmente precise daquilo. Por atuar tanto na glicose como na parte hormonal, exige acompanhamento com o médico".
Para acompanhar a evolução dos pacientes, profissionais utilizam métodos como a bioimpedância. A autônoma Carla Pereira, que utiliza o Mounjaro aliado à nutrição e exercícios físicos, eliminou 36kg em cerca de 10 meses de tratamento.
Ela destaca a importância do suporte especializado: "Estou muito feliz porque a Drª. Dinah me acompanha, me impulsiona e motiva bastante. A gente acha que a medicação é só tomar e emagrecer, mas precisamos seguir a dieta e a atividade física, senão não tem resultado e não sustenta".
O diretor técnico da R3 Academia, Charles Maciel, reforça que a medicação sozinha não faz milagres e que a mudança de hábitos é essencial. O profissional conclui:
A atividade física hoje é fundamental. Para quem faz uso de algum medicamento, estar assessorado por um nutricionista, um médico e um profissional de educação física é a maneira mais correta e ideal para cada pessoa".
*Com informações do jornalista Alex Castro, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.