Sem o funcionamento dos órgãos, o artista depende de máquinas para filtrar o sangue semanalmente; enfermeira explica os riscos da doença silenciosa
Redação
Publicado em 30/07/2026, às 09h40
O que parecia uma gripe comum revelou um diagnóstico grave para o músico Antônio Francisco, o 'Chiquinho'. O cantor de funk procurou ajuda médica após sentir fraqueza extrema e perder a voz, mas demorou a encontrar respostas.
Apenas com a indicação de um exame de ultrassom, ele descobriu que sofria de rins policísticos e que os órgãos haviam parado de funcionar.
"Eu estava bem debilitado, minha voz não saía. Fui em alguns hospitais e não consegui obter um diagnóstico", relembra o músico. O quadro clínico incluiu a paralisia da corda vocal esquerda. Há quatro anos, ele faz acompanhamento médico e nutricional para recuperar a fala e voltar aos palcos.
Atualmente, Antônio passa por hemodiálise três vezes por semana, em sessões que duram cerca de quatro horas. O procedimento utiliza uma máquina para filtrar o sangue e eliminar o excesso de líquidos e toxinas, função que os rins do paciente não conseguem mais executar.
A doença renal compromete a capacidade do organismo de equilibrar a água corporal. A enfermeira nefrologista Rosângela Garcia explica que os sinais da disfunção costumam aparecer aos poucos e exigem atenção.
"O paciente apresenta sintomas importantes como o inchaço corporal, náuseas, vômito e alterações na pressão arterial", detalha a especialista. As principais doenças e fatores de risco associados aos problemas nos rins incluem a hipertensão, diabetes, obesidade, doenças cardíacas e lúpus.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 10% da população adulta sofre com algum grau de doença renal. No país, aproximadamente 180 mil brasileiros precisam de diálise.
O tratamento varia conforme o estágio do quadro clínico. Os casos iniciais recebem atendimento conservador em consultas periódicas com o nefrologista, sem a necessidade de filtragem artificial. Para os quadros mais avançados, as opções incluem a hemodiálise e a diálise peritoneal, técnica feita na casa do paciente, que utiliza o peritônio (membrana do abdômen) para filtrar o sangue.
A cura definitiva, no entanto, depende do transplante. "Todos os nossos pacientes são colocados na lista de transplante e aguardam ser chamados para o procedimento", conclui a enfermeira.
*Com informações da jornalista Letícia Sanvez, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.