Doença é silenciosa e pode evoluir para cirrose e câncer; sedentarismo e consumo de produtos ultraprocessados agravam o quadro
Redação
Publicado em 05/10/2026, às 17h00
Cerca de 30% da população mundial apresenta esteatose hepática, condição popularmente conhecida como gordura no fígado. Dados da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) relacionam a alta prevalência da doença às mudanças nos hábitos de vida, ao sedentarismo e ao maior consumo de alimentos industrializados, ultraprocessados e bebidas adoçadas.
A médica do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, Roberta Chaves, detalha o cenário da doença na população.
A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica apresenta alta prevalência. Cerca de 30% a 40% da população tem a condição, o que representa aproximadamente um em cada três adultos. Entre grupos específicos, esse número pode ser ainda maior, a prevalência chega a 70% entre pessoas com diabetes e a 80% entre pessoas com obesidade”, explica Roberta.
A especialista aponta que a humanidade passou para uma era automatizada e de menor movimentação, na qual as pessoas passam muito tempo sentadas. A combinação entre o baixo gasto de energia e o consumo excessivo de produtos industrializados favorece o acúmulo de gordura no corpo e contribui para diversas complicações, como obesidade e doenças cardiovasculares.
A doença ocorre quando há acúmulo de gordura dentro das células do fígado. A principal fonte do problema é a gordura liberada pelo próprio tecido adiposo, especialmente quando existe resistência à insulina do paciente. Além disso, o fígado produz gordura a partir do excesso de nutrientes, principalmente os carboidratos.
A médica explica que, nesse processo, ocorre a lipogênese, situação em que o organismo transforma carboidratos e açúcares em gordura. O consumo elevado de bebidas adoçadas com excesso de frutose artificial também contribui para o problema a longo prazo.
A esteatose é uma condição silenciosa e assintomática. O diagnóstico costuma ocorrer durante a realização de exames de rotina ou de imagem. Segue a lista com os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença:
Obesidade ou sobrepeso;
Diabetes e pré-diabetes;
Hipertensão;
Alterações no colesterol e nos triglicérides;
Consumo de bebidas alcoólicas (dependendo da predisposição do indivíduo);
Fatores genéticos.
O acompanhamento médico é fundamental. Sem o tratamento adequado, a esteatose hepática pode evoluir para cirrose e câncer de fígado, além de aumentar o risco de mortalidade. A especialista alerta para as consequências sistêmicas no organismo.
As complicações cardiovasculares estão entre as mais comuns, já que, apesar de começar no fígado, a esteatose hepática está intimamente ligada à síndrome metabólica e pode afetar o organismo de forma sistêmica. A condição está associada a fatores como diabetes, pré-diabetes, obesidade e alterações nos níveis de colesterol, aumentando o risco cardiovascular”, finaliza a médica.
*Com base na reportagem de Luis Martins, do Jornal da USP