Pasta acompanha estudo com 250 pessoas atendidas pelo SUS no Rio Grande do Sul
Rhauanny Queiroz
Publicado em 19/09/2026, às 10h28
O Ministério da Saúde conduz estudo para avaliar a incorporação das chamadas canetas emagrecedoras ao Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na quinta-feira (17).
Segundo o ministro, os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade poderão ser oferecidos gratuitamente pelo SUS, mas a disponibilização será feita com base em estudos e após a definição de um protocolo clínico.
A estratégia envolve tanto a avaliação do uso dos medicamentos em pacientes do sistema público quanto o estímulo à produção nacional. De acordo com Padilha, o Brasil já conta com 14 produtos registrados para o combate à obesidade.
O Brasil é hoje o país com a maior diversidade de medicamentos registrados para o combate à obesidade, as chamadas canetas emagrecedoras. Já temos 14 produtos registrados. E isso derrubou o preço para a população”.
Durante visita à fábrica da Eurofarma, o ministro explicou que a intenção não é incorporar os medicamentos ao SUS como uma solução estética, mas avaliar situações de saúde nas quais os pacientes possam se beneficiar do tratamento.
Entre os grupos analisados estão pessoas que aguardam cirurgia bariátrica, pacientes com obesidade e problemas cardíacos e mulheres que tiveram câncer de mama.
Segundo Padilha, o Ministério da Saúde avalia se o uso desses medicamentos pode contribuir para controlar a obesidade em pessoas que estão na fila da cirurgia bariátrica, melhorar a situação de pacientes que apresentam obesidade associada a problemas cardíacos e verificar se a utilização da medicação pode reduzir o risco de retorno do câncer de mama.
O ministro ressaltou que o uso será destinado a pessoas que precisam do medicamento e deverá ocorrer com orientação médica.
Estamos avaliando pessoas que estavam na fila de cirurgia bariátrica para saber se o uso dessa medicação consegue controlar a obesidade sem a necessidade de cirurgia; se melhora a situação de pessoas que têm obesidade e problemas cardíacos; e de mulheres que tiveram câncer de mama”, afirmou.
O Ministério da Saúde também trabalha para ampliar a produção nacional de medicamentos contra a obesidade. Segundo Alexandre Padilha, a iniciativa começou após a divulgação de um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) que orientou os países a avaliarem o acesso a esse tipo de medicamento diante dos possíveis efeitos para outras questões relacionadas à saúde.
Após a publicação do relatório, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) convocaram empresas nacionais e internacionais por meio de um edital para identificar quais teriam condições de produzir no Brasil a caneta emagrecedora à base de semaglutida.
A patente da semaglutida mencionada pelo ministro expirou em 2026.
Padilha também apresentou os primeiros resultados do trabalho realizado pelo Ministério da Saúde. O primeiro paciente a receber o medicamento pelo sistema público foi atendido pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS).
Segundo o ministro, o paciente estava na fila para cirurgia bariátrica e, após receber a medicação, perdeu seis quilos e reduziu a circunferência. Padilha também relatou mudanças nos hábitos de vida do paciente. Segundo o ministro, ele passou a ajudar a mãe em casa, sair de casa e realizar atividade física.
O primeiro paciente que recebeu essa medicação pelo SUS estava na fila da cirurgia bariátrica. Ele já perdeu seis quilos e reduziu a circunferência”, contou.
Para avaliar o uso da semaglutida em pessoas com obesidade, foi implementado o Real-Bari, um protocolo de pesquisa elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a equipe técnica do Grupo Hospitalar Conceição.
O estudo tem como objetivo oferecer maior segurança aos participantes e estabelecer diretrizes para o acompanhamento contínuo realizado por médicos especialistas da unidade. Serão acompanhados 250 pacientes do SUS atendidos pelo hospital.
O grupo é formado por pessoas com obesidade grave ou obesidade associada a outras morbidades. A pesquisa faz parte do trabalho conduzido pelo Ministério da Saúde para avaliar a utilização dos chamados análogos de GLP-1 no sistema público.
A partir dos resultados obtidos e da definição de um protocolo clínico, o governo pretende estabelecer como esses medicamentos poderão ser disponibilizados pelo SUS em todo o país. Conforme o ministro Alexandre Padilha, a incorporação deverá ocorrer de forma responsável e direcionada a pacientes que tenham indicação para o tratamento.