Bebê com suspeita de meningite morre 48h após internação no litoral de SP

Menino de 1 ano foi transferido da UPA ao hospital Santo Amaro com sintomas de meningite; outro bebê está internado com meningite bacteriana confirmada

Lenildo Silva
Publicado em 13/11/2025, às 20h01

Quadro clínico da vítima incluía perda de consciência, desnutrição e vômitos - Arquivo/Prefeitura de Guarujá


A prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, investiga a morte de um bebê de 1 ano com suspeita de meningite, ocorrida na manhã de quarta-feira (12).

O caso foi confirmado pelo secretário municipal de Saúde, Fábio Mesquita, que informou que exames foram solicitados ao Instituto Adolfo Lutz para determinar a causa da morte.

A criança havia sido transferida da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rodoviária para o hospital Santo Amaro (HSA) com sintomas compatíveis com a doença. Segundo o secretário, o bebê morreu cerca de 48 horas após a internação, e o quadro clínico incluía perda de consciência, desnutrição e vômitos.



De acordo com Mesquita, a suspeita inicial foi baseada nos sinais apresentados, e a confirmação depende dos resultados laboratoriais. O município acompanha o caso e mantém contato com o hospital para atualização das informações.

Outro menino, de 1 ano e 1 mês, permanece internado no HSA com diagnóstico confirmado de meningite bacteriana. Ele deu entrada na unidade na segunda-feira (10) e segue sob acompanhamento da equipe de pediatria.

Diante dos dois registros, a Secretaria Municipal de Saúde adotou medidas preventivas nas creches frequentadas pelas crianças. Pais e profissionais que tiveram contato com os pacientes receberam medicação e orientação médica.



O município também iniciou uma força-tarefa para verificação das carteiras de vacinação nas escolas. Segundo o secretário, o objetivo é garantir que todas as crianças estejam com o esquema vacinal atualizado, sobretudo contra os tipos mais graves de meningite.

Meningite no litoral

A Baixada Santista registrou 57 casos de meningite e 11 mortes entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados do Departamento Regional de Saúde. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde reforçou que a vacinação é a principal forma de prevenção e que as vacinas meningocócicas C e ACWY estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do estado.

Em Cubatão, um homem de 38 anos foi internado no dia 3 de novembro. O tipo específico da bactéria ainda não havia sido identificado, e o estado de saúde do paciente não foi informado pela prefeitura. No município, quatro casos foram registrados neste ano, com três mortes confirmadas entre adultos de 20 a 52 anos.



A Secretaria de Saúde Pública (Sesap) de Praia Grande investiga um novo caso suspeito de meningite em um menino de 4 anos, morador da cidade, que está internado no hospital Ana Costa, em Santos. A notificação foi recebida na segunda-feira (3), e a Vigilância Epidemiológica acompanha a ocorrência e realiza o monitoramento preventivo.

Este é o terceiro caso recente envolvendo crianças no município. Um menino de 2 anos teve diagnóstico confirmado de meningite bacteriana por Streptococcus pneumoniae, enquanto uma menina de 11 anos morreu em decorrência da forma bacteriana tipo C. Os casos acenderam o alerta na região e levaram as prefeituras a reforçar as ações de vigilância e prevenção.

Em Santos, dois estudantes da rede municipal testaram positivo para meningite, um com o tipo viral, considerado mais leve, e outro com o tipo bacteriano pneumocócico. A prefeitura afirmou que monitora os contatos próximos e mantém vigilância ativa nas escolas para prevenir novos casos.



Milena estava internada no hospital Irmã Dulce - Reprodução/Redes Sociais e Fred Casagrande/Prefeitura de Praia Grande

A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. A forma bacteriana é considerada a mais grave e exige diagnóstico imediato. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, náuseas e rigidez na nuca, que exige atendimento médico imediato diante de qualquer suspeita.

A infectologista pediátrica Carolina Brites explicou que a diferença entre as formas viral e bacteriana está na gravidade. "A bacteriana costuma provocar febre mais alta e tem maior potencial de complicações, enquanto a viral tende a ser mais leve", afirmou.

Carolina destacou que, mesmo em casos isolados, é essencial manter a atenção. "Se algum contato apresentar sintomas como febre, dor de cabeça ou rigidez na nuca, deve procurar atendimento médico o quanto antes", alertou. A especialista reforçou ainda que a vacinação é indispensável, especialmente contra os tipos bacterianos mais graves.



Nos casos de meningite viral, o tratamento geralmente envolve internação para garantir hidratação, repouso e acompanhamento clínico adequado. A médica ressalta que o cuidado hospitalar evita complicações e assegura recuperação mais segura, especialmente entre crianças e idosos.

A morte da menina em Praia Grande reacendeu a preocupação entre os profissionais de saúde. "A meningite não foi erradicada e exige vigilância constante. O diagnóstico rápido é determinante para salvar vidas", destacou a infectologista.

A meningite é uma doença de transmissão respiratória ou fecal-oral, que pode ocorrer por gotículas de saliva, secreções nasais ou contato com água e alimentos contaminados. Em bebês, sintomas como inchaço na moleira e choro persistente exigem atenção redobrada dos pais e cuidadores.



Como medida preventiva, a prefeitura de Santos informou que mantém o monitoramento em toda a rede de ensino e que, até o momento, não há indícios de surto. A Secretaria Municipal de Saúde recomenda observar qualquer alteração na saúde das crianças e buscar o pronto atendimento em caso de suspeita.

De acordo com o Departamento Regional de Saúde, as cidades com maior número de ocorrências foram orientadas a reforçar campanhas de imunização e ampliar a busca ativa por pessoas não vacinadas. A medida busca conter a transmissão e reduzir a gravidade dos casos.

Embora o número de registros tenha crescido, as autoridades afirmam que não há indícios de surto generalizado. A recomendação é manter a vacinação em dia, reforçar hábitos de higiene e buscar atendimento médico rápido diante de qualquer sintoma suspeito, medida considerada decisiva para evitar novos óbitos na região.



Para mais conteúdos



Guarujá

Leia também

Meningite faz 11 vítimas fatais entre 57 casos na Baixada Santista em 2025


Alerta de meningite cresce; Praia Grande investiga 3º caso em criança