Por que tantos vereadores da Baixada Santista deixam a Câmara para disputar vaga de deputado?

Movimento se repete a cada eleição e tem relação com visibilidade política, base eleitoral consolidada e regras do sistema eleitoral brasileiro

Geilton Junior
Publicado em 04/08/2026, às 16h37

Nem todo vereador que disputa uma vaga para deputado pretende deixar definitivamente a política municipal - Divulgação/TSE


A cada eleição para deputados estaduais e federais, um movimento se repete na Baixada Santista: vereadores anunciam que vão disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) ou na Câmara dos Deputados.

Em 2026, não é diferente. Diversos parlamentares da região decidiram trocar, ao menos temporariamente, a política municipal pela corrida a um cargo estadual ou federal.

Mas por que isso ocorre?

O principal motivo é que os vereadores já possuem uma base eleitoral formada. Por estarem em contato direto com a população, quando acompanham demandas dos bairros e participam da rotina das cidades, eles costumam chegar à campanha com mais reconhecimento do eleitorado do que candidatos que nunca ocuparam um cargo público.



Outro fator é a estrutura partidária. Em muitos casos, os partidos incentivam vereadores a concorrerem para ampliar a votação da legenda. Mesmo quando o candidato não é eleito, os votos obtidos ajudam o partido ou federação a alcançar um desempenho melhor no sistema proporcional, que define a distribuição das cadeiras na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.

Também pesa o fato de que o mandato de vereador não é perdido apenas por disputar a eleição. Caso não seja eleito, o parlamentar permanece no cargo normalmente, desde que não haja outra situação prevista em lei. Isso reduz o risco político de participar da disputa.

Na Baixada Santista, essa estratégia é recorrente porque a região concentra um eleitorado expressivo e costuma ser considerada estratégica pelos partidos. Além disso, vereadores conhecem de perto temas que afetam o litoral, como mobilidade, saúde regional, turismo, infraestrutura, moradia e as demandas ligadas ao porto de Santos.



Por outro lado, especialistas apontam que o aumento do número de candidaturas locais também pode dividir os votos entre concorrentes da própria região, o que dificulta a eleição de representantes da Baixada Santista. O fenômeno, conhecido como pulverização de votos, é apontado como um dos desafios históricos para ampliar a bancada regional.

Nem todo vereador que disputa uma vaga para deputado pretende deixar definitivamente a política municipal. Em muitos casos, a candidatura também serve para ampliar a visibilidade política, fortalecer o partido na cidade e consolidar o nome para futuras eleições, como as de prefeito ou deputado em pleitos seguintes.

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