Governo aumenta piso a partir de outubro e benefício médio deve chegar a R$777; medida terá impacto de R$5,8 bilhões ainda em 2026
Redação
Publicado em 17/09/2026, às 17h00
O governo federal anunciou, nesta quinta-feira (17), reajuste de 15,04% no Bolsa Família, que começa a valer a partir da folha de outubro de 2026. Com a mudança, o valor mínimo garantido às famílias atendidas pelo programa sobe dos atuais R$600 para R$691, acréscimo de R$91. O benefício médio, que considera adicionais pagos conforme a composição familiar, deve passar de R$675 para R$777.
O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes da equipe econômica. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o percentual corresponde à reposição da inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde o início da atual configuração do programa, em 2023, até agosto deste ano.
O reajuste representa aumento linear dos benefícios que integram o Bolsa Família. Além do piso familiar, os valores pagos por integrante e os adicionais relacionados à composição de cada família também serão corrigidos.
O novo valor começa a valer na folha de outubro. Os pagamentos daquele mês estão previstos para começar em 19 de outubro, seguindo o calendário definido conforme o último número do NIS (Número de Identificação Social) do responsável familiar.
Isso não significa que todas as famílias receberão exatamente R$691. Esse será o valor mínimo por família. O pagamento final varia conforme o número e a idade dos integrantes e os adicionais aos quais cada núcleo familiar tem direito.
Com a correção, o valor médio do programa deve alcançar R$777, segundo os números apresentados pelo governo nesta quinta-feira.
O impacto estimado nas contas públicas será de R$5,8 bilhões ainda em 2026, considerando a aplicação a partir da folha de outubro. Para 2027, a estimativa apresentada pelo Ministério do Planejamento chega a aproximadamente R$22 bilhões.
Segundo Moretti, o governo identificou espaço fiscal para acomodar o reajuste neste ano. Para 2027, será necessário ajustar a proposta orçamentária já encaminhada ao Congresso para incorporar o aumento das despesas com o programa.
A proposta de Orçamento apresentada no fim de agosto não previa o reajuste. Na ocasião, Moretti havia afirmado que o PLOA de 2027 trabalhava com um montante global para o Bolsa Família, sem previsão de correção dos benefícios. O governo passou a sustentar nesta quinta-feira que encontrou espaço fiscal para conceder o aumento.
Pelas regras atualmente divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o programa atende famílias em situação de pobreza inscritas no Cadastro Único. O benefício é composto por diferentes parcelas calculadas conforme a quantidade e o perfil dos integrantes da família.
Até agora, a estrutura previa R$142 por integrante, garantia de pelo menos R$600 por família e adicionais específicos para crianças e outros integrantes que atendam aos critérios estabelecidos pelo programa. Os valores passam a ser afetados pelo reajuste anunciado nesta quinta-feira.
O governo também mantém procedimentos de revisão e atualização cadastral. Famílias convocadas para atualização precisam regularizar as informações dentro dos prazos estabelecidos para evitar bloqueio e posterior cancelamento do benefício.
O anúncio ocorre 17 dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para domingo, 4 de outubro. Lula disputa a reeleição. Já o pagamento com o novo valor começa em 19 de outubro, entre o primeiro turno e a data prevista para eventual segundo turno.
Questionado sobre o impacto fiscal, o governo sustenta que o reajuste corresponde à recomposição inflacionária prevista na legislação e será acomodado dentro das regras fiscais, sem alteração da trajetória das metas estabelecidas pela equipe econômica.
O reajuste do Bolsa Família ocorre no mesmo período em que o governo federal propôs elevar o salário mínimo de R$1.621 para R$1.741 em 2027, aumento nominal de R$120. O valor consta na proposta de Orçamento enviada ao Congresso e considera a política de valorização do piso, com correção pela inflação e ganho real.