Viu uma estrela-do-mar na praia? Saiba por que não tocar

Biólogo marinho explica os riscos de retirar o animal da água, e orienta como agir ao encontrar espécies marinhas durante passeios

Rhauanny Queiroz
Publicado em 21/08/2026, às 11h18

Luidia senegalensis, conhecida como estrela-do-mar-de-sete-braços - Reprodução instagram/@litoralsantista


O aparecimento de uma estrela-do-mar-de-sete-braços (Luidia senegalensis) em uma praia de Santos chamou a atenção e também serve de alerta para um cuidado importante: animais marinhos não devem ser retirados do ambiente em que vivem.

Segundo o biólogo marinho Luís Felipe Natálio, a estrela-do-mar pode sofrer consequências mesmo quando permanece fora da água por poucos minutos. O animal pode desidratar e morrer, já que não possui estruturas de proteção contra a perda de água e não tem hábitos fora do ambiente aquático.

Por que não se deve tirar a estrela-do-mar da água?

Existe a ideia de que estrelas-do-mar conseguem permanecer fora da água sem problemas. Segundo o especialista, isso é um mito.



A estrela do mar, bem como muitos animais aquáticos, desidrata e pode morrer se retiradas da água. Elas não têm proteção para evitar a perda de água, visto que são animais que não possuem hábitos fora da água”, explica Luís Felipe.

Além da retirada da água, o próprio manuseio pode causar danos. Não existe um nível considerado seguro para tocar estrelas-do-mar no ambiente natural, de acordo com o biólogo.

Substâncias presentes nas mãos humanas, como óleos, protetor solar e repelente de insetos, também podem prejudicar o animal.

Qual é a importância da estrela-do-mar?

Apesar de serem conhecidas principalmente pela aparência, as estrelas-do-mar desempenham uma função importante nos ambientes onde vivem. Elas são predadoras e ajudam a controlar populações de moluscos e mariscos, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema.



Esse controle também pode produzir efeitos indiretos sobre outros organismos. De acordo com Luís Felipe, as estrelas-do-mar podem influenciar a abundância das presas dos animais que se alimentam delas, incluindo organismos presentes em costões rochosos.

A retirada de um único animal pode ou não produzir impacto ambiental, dependendo da situação. O risco pode ser maior em locais com poucos indivíduos ou quando se trata de espécies ameaçadas de extinção.

Estrela-do-mar é comum no litoral de SP?

Segundo o biólogo marinho, há muitas espécies de estrelas-do-mar que vivem naturalmente nas praias e nos costões rochosos do litoral paulista. Por isso, esses animais são relativamente comuns na região.



Encontrar uma estrela-do-mar, portanto, não significa que ela esteja necessariamente perdida ou precise ser retirada do local.

O que fazer ao encontrar uma estrela-do-mar?

A recomendação é simples: não tocar, não manusear, não mudar o animal de lugar e não transportá-lo. A orientação vale não apenas para estrelas-do-mar, mas para qualquer animal marinho encontrado durante passeios, mergulhos ou visitas a praias, costões rochosos e piscinas naturais.

Luís Felipe explica que o melhor comportamento é observar os animais no próprio ambiente, sem interferir.



A recomendação geral é nunca manusear os animais, para a segurança da fauna e das pessoas. Ao visitar ambientes naturais, como praias, costões rochosos e piscinas naturais, o ideal é apenas apreciar os seres vivos por meio da observação”, orienta.

Outros animais também exigem cuidado

O desconhecimento sobre determinadas espécies pode levar a atitudes que prejudicam a fauna ou colocam os próprios banhistas em risco.

O biólogo cita como exemplo a bolacha-de-praia, que algumas pessoas acreditam possuir uma estrela em seu interior. Na realidade, a estrutura pentagonal encontrada dentro do animal faz parte de suas estruturas internas.

Também é importante evitar o contato com espécies que podem causar ferimentos, como águas-vivas e ouriços-do-mar.



A orientação se estende a mamíferos e aves marinhas encontrados mortos, debilitados e encalhados. Nesses casos, além do risco de prejudicar o animal, pode haver risco de transmissão de doenças, e o recomendado é acionar o órgão responsável pelo atendimento da fauna na região.

Retirar animais marinhos pode ser crime?

A retirada de animais da fauna silvestre sem autorização pode ser enquadrada na Lei de Crimes Ambientais. Segundo o biólogo, a legislação considera passível de punição matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.

Por isso, além dos possíveis danos ao animal, retirar uma espécie do ambiente natural pode trazer consequências legais.



Como observar sem prejudicar a fauna?

Para quem encontra uma estrela-do-mar ou outro animal durante um passeio, a recomendação é manter distância e apenas observar. Não é necessário tocar, pegar, retirar da água, transportar ou mudar o animal de lugar para registrar uma foto. A melhor forma de apreciar a fauna é permitir que ela permaneça em seu habitat.

São animais bonitos, que não nos oferecem riscos”, destaca o biólogo.

A orientação também contribui para reduzir o estresse dos animais e preservar o equilíbrio dos ambientes costeiros.

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