Apesar da aparência intimidadora, o animal tem comportamento calmo e raramente representa perigo real para seres humanos se não for provocado
Lenildo Silva
Publicado em 12/07/2026, às 16h08
O tubarão-mangona (Carcharias taurus), espécie avistada em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, é conhecido pelos dentes longos e sempre aparentes, característica que costuma causar apreensão. Apesar da aparência intimidadora, o animal tem comportamento calmo e raramente representa perigo para seres humanos quando não é provocado.
A identificação foi feita pelo fotógrafo e documentarista de vida selvagem Rafael Mesquita, que apontou que o animal aparenta ser um tubarão-mangona. A espécie pode atingir cerca de 3,2 metros de comprimento e pesar mais de 150 quilos. Vive em águas costeiras de regiões tropicais e temperadas, frequentando enseadas, costões rochosos e áreas próximas a ilhas. No Brasil, sua ocorrência é registrada em diversos pontos do litoral, inclusive na costa paulista.
Uma das curiosidades do tubarão-mangona está na reprodução. Os filhotes se desenvolvem no útero da fêmea e os maiores alimentam-se dos irmãos menores e de ovos não fecundados antes do nascimento, fenômeno conhecido como canibalismo intrauterino. Como consequência, normalmente apenas dois filhotes sobrevivem por gestação, fator que contribui para a baixa taxa de reprodução da espécie.
Considerado criticamente ameaçado de extinção no Brasil, o tubarão-mangona sofre com a pesca acidental, a degradação dos habitats e a captura ilegal. Estudos recentes indicam que o litoral norte paulista pode desempenhar papel fundamental na conservação da espécie.
Pesquisadores identificaram fêmeas com marcas recentes de acasalamento e sinais de gravidez no Arquipélago de Alcatrazes, área marinha protegida localizada a cerca de 35 quilômetros da costa de São Sebastião.
A descoberta, publicada no Journal of Fish Biology, sugere que o arquipélago funciona como um importante refúgio reprodutivo, onde o tubarão-mangona pode completar todo o seu ciclo de reprodução em águas brasileiras. Até então, a hipótese predominante era de que o acasalamento ocorria na Argentina, no Uruguai e no sul do Brasil, com migração das fêmeas para o Sudeste apenas durante a gestação.
Em caso de avistamento, as embarcações devem manter distância e evitar qualquer tentativa de aproximação, mergulho ou alimentação do animal. Além de proteger as pessoas, este cuidado reduz o estresse da espécie e contribui para a preservação da fauna marinha do litoral de São Paulo.