Nem toda cobra é perigosa; veja quatro espécies sem peçonha

Instituto Butantan explica que a maioria das serpentes brasileiras não representa risco de envenenamento e tem papel importante no equilíbrio ambiental

Rhauanny Queiroz
Publicado em 24/07/2026, às 13h14

Jiboia, caninana, sucuri e muçurana estão entre as serpentes não peçonhentas - Divulgação/Instituto Butantan


Encontrar uma cobra costuma causar medo em muitas pessoas, mas a maioria das serpentes brasileiras não representa risco de envenenamento. Segundo o Instituto Butantan, o Brasil abriga cerca de 370 espécies de serpentes, porém menos de 15% delas são peçonhentas e capazes de inocular veneno por meio de estruturas especializadas.

As serpentes não peçonhentas exercem um papel importante na natureza ao controlar populações de roedores e de outros animais, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas.

Ainda de acordo com o Butantan, algumas dessas espécies produzem substâncias tóxicas para auxiliar na captura das presas, mas não possuem um aparelho inoculador eficiente como o das serpentes peçonhentas.



Conheça quatro espécies destacadas pelo Instituto Butantan.

Jiboia é uma das serpentes mais conhecidas do país

A jiboia (Boa constrictor) está entre as serpentes mais conhecidas do Brasil. Sem peçonha, ela captura suas presas por constrição, envolvendo o animal com o corpo até impedir sua respiração.

Encontrada em diferentes biomas brasileiros, a espécie costuma se alimentar de aves, lagartos e pequenos mamíferos, ajudando no controle natural dessas populações. Apesar do tamanho, a jiboia não costuma atacar pessoas e prefere fugir quando percebe a presença humana.



Caninana chama atenção pela velocidade

A caninana (Spilotes pullatus) é conhecida pelo corpo alongado, pela coloração preta com manchas amarelas e pela agilidade. A espécie pode subir em árvores com facilidade e também é encontrada no solo em busca de alimento.

Segundo o Instituto Butantan, embora seu comportamento possa parecer intimidador quando se sente acuada, a caninana não possui peçonha. Ela costuma inflar o pescoço e vibrar a cauda como forma de defesa para afastar possíveis predadores.

Sucuri é a maior serpente do Brasil

A sucuri (Eunectes murinus) é considerada uma das maiores serpentes do mundo e a maior encontrada no Brasil. Vive principalmente em rios, lagoas e áreas alagadas, sendo uma excelente nadadora.



Assim como a jiboia, a sucuri utiliza a constrição para capturar suas presas. Apesar do grande porte, ataques contra seres humanos são extremamente raros, e a espécie desempenha um papel importante na manutenção do equilíbrio dos ambientes aquáticos.

Muçurana ajuda no controle de serpentes peçonhentas

Entre as curiosidades destacadas pelo Instituto Butantan está a muçurana (Clelia clelia), uma serpente conhecida por se alimentar de outras cobras, inclusive espécies peçonhentas, como jararacas.

A muçurana também não possui peçonha e utiliza a constrição para dominar suas presas antes de engoli-las. Por contribuir para o controle natural de outras serpentes, ela exerce uma função importante nos ecossistemas onde vive.



Como agir ao encontrar uma cobra

Independentemente da espécie, a orientação do Instituto Butantan é nunca tentar capturar, matar ou manusear uma serpente. A maioria desses animais evita o contato com seres humanos e só reage quando se sente ameaçado.

Em caso de encontro com uma cobra, a recomendação é manter distância e acionar os órgãos ambientais ou o Corpo de Bombeiros quando houver risco para pessoas ou para o próprio animal. Caso ocorra uma mordida, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente para que a espécie seja identificada e o tratamento adequado seja iniciado.

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