Lobo-marinho-subantártico: conheça a espécie que visita o litoral de SP no inverno

Mamífero marinho percorre grandes distâncias em busca de alimento e passa parte do ano no mar antes de retornar às áreas de reprodução

Rhauanny Queiroz
Publicado em 21/08/2026, às 11h20

Lobo-marinho-subantártico apresenta pelagem em tons de cinza e marrom e coloração pardo-amarelada no peito, garganta e face - Reprodução/Instituto Argonauta


O lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis), também conhecido como lobo-marinho-de-peito-branco, é um mamífero da família Otariidae encontrado no hemisfério Sul. A espécie ocorre nas regiões sul dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.

No Brasil, o animal pode ser observado principalmente durante seus deslocamentos pelo litoral. Durante o inverno, os machos permanecem no mar e retornam às áreas costeiras na primavera, período associado à reprodução.

As colônias reprodutivas mais próximas do Brasil estão localizadas no arquipélago de Tristão da Cunha, segundo as informações sobre a espécie.



Como é o lobo-marinho-subantártico?

Uma das características que ajudam a reconhecer o animal é a diferença de coloração entre o corpo e as regiões do peito, garganta e face. A pelagem apresenta, de maneira geral, tons de cinza e marrom, enquanto essas áreas podem apresentar uma coloração pardo-amarelada.

A espécie também possui uma mecha de pelos no alto da cabeça, semelhante a um topete. O lobo-marinho-subantártico tem porte menor que o leão-marinho, além de focinho alongado e pelagem mais macia.

Os machos podem chegar a 2 metros de comprimento e pesar cerca de 160 quilos. As fêmeas têm aproximadamente 1,40 metro e pesam cerca de 50 quilos.



O corpo tem formato fusiforme e é coberto por pelos, que são renovados anualmente. Outra característica da espécie é a presença de orelhas externas e o uso dos membros anteriores para se locomover em terra.

Por que o lobo-marinho surge no litoral de SP?

A presença desses animais na costa está relacionada aos deslocamentos realizados em busca de alimento. As fêmeas com filhotes fazem viagens ao mar para se alimentar e depois retornam à terra.

Durante o verão, uma viagem de alimentação pode durar aproximadamente seis a 10 dias. No inverno, esse período aumenta e pode chegar a 23 a 28 dias. Entre uma viagem e outra, as fêmeas passam cerca de quatro dias em terra com os filhotes.



As distâncias percorridas também variam conforme a estação. No verão, podem chegar a 600 quilômetros a partir das áreas de reprodução. No inverno, podem alcançar aproximadamente 1.800 quilômetros. A espécie prefere praias rochosas, com pedras abundantes e sombra.

O que o lobo-marinho come?

A alimentação inclui diferentes animais marinhos. Entre os principais itens estão peixes, crustáceos, cefalópodes e pinguins. Para procurar alimento, os adultos podem fazer mergulhos de aproximadamente 16 a 19 metros de profundidade, em águas com temperatura superior a 14 °C, permanecendo submersos por até quatro minutos.

Como é a reprodução?

O lobo-marinho-subantártico possui um sistema de reprodução baseado em haréns. Os machos defendem territórios que podem reunir entre seis e 20 fêmeas. Os machos chegam às áreas costeiras em outubro e disputam os territórios reprodutivos. Depois, permanecem na defesa do espaço e do harém até que as fêmeas sejam acasaladas.



Os filhotes nascem durante a primavera e o verão do hemisfério Sul, entre outubro e janeiro. A gestação dura cerca de 11 a 12 meses, e as fêmeas normalmente têm um filhote por ano. O período de amamentação pode chegar a 11 meses.

Os machos atingem a puberdade entre três e quatro anos, mas chegam à idade adulta completa entre dez e 11 anos. As fêmeas atingem a maturidade sexual por volta dos cinco anos.

Como os filhotes são encontrados pelas mães?

As fêmeas utilizam a comunicação sonora para localizar e reconhecer os filhotes. Durante as viagens em busca de alimento, elas utilizam uma chamada de contato que provoca respostas dos filhotes.



Como cada filhote possui uma vocalização própria, a mãe consegue distinguir seu descendente dos demais. A visão e o olfato também participam desse processo, mas em menor escala.

Os machos, por sua vez, utilizam comunicação auditiva, visual e tátil durante as disputas por territórios. Vocalizações, posturas de dominância, ameaças e confrontos físicos fazem parte desse comportamento.

Espécie quase foi extinta

A história do lobo-marinho-subantártico também envolve um período de intensa exploração humana. Lobos-marinhos foram caçados em diferentes partes do mundo entre os séculos XVIII e XX, levando várias espécies perto da extinção.



A caça tinha como principais interesses a pele e a gordura dos animais. O óleo extraído da gordura era utilizado na iluminação pública, como lubrificante e na produção de sabão, tintas e roupas. Com a redução e a regulamentação da caça, as populações de diferentes espécies conseguiram se recuperar.

Atualmente, porém, a interferência humana continua sendo apontada como um fator de risco. Entre os problemas estão maus-tratos, aproximação inadequada, presença de animais domésticos e tentativas de forçar os animais a voltar para a água.

Há registros de lobos-marinhos que sofreram agressões, incluindo ferimentos provocados por tiros e fraturas.



Como o animal se comporta em terra?

Os machos passam grande parte do ano no mar ou em colônias com outros machos. Quando chegam aos territórios de reprodução, permanecem mais ativos durante esse período. O comportamento também pode variar conforme a temperatura.

Machos que não estão se reproduzindo podem apresentar hábitos diferentes de acordo com as condições ambientais, alternando períodos de atividade no mar e descanso em terra. As fêmeas, por outro lado, alternam períodos em terra com os filhotes e viagens ao mar para buscar alimento.

Os filhotes permanecem no local de reprodução antes do desmame e passam parte do tempo na água. Conforme crescem, desenvolvem a capacidade de realizar mergulhos progressivamente mais profundos.



O que fazer ao encontrar um lobo-marinho?

Ao encontrar um lobo-marinho na praia, não toque, não jogue água e não tente empurrar o animal de volta ao mar. Também é importante manter distância, evitar aglomerações e afastar cães e outros animais domésticos.

A recomendação é acionar uma equipe especializada para avaliar as condições do animal. O atendimento é dividido entre instituições que atuam em diferentes trechos do litoral paulista.

Litoral norte

O Instituto Argonauta atua no trecho do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) entre São Sebastião e Ubatuba, abrangendo o litoral norte. A instituição disponibiliza os telefones (12) 3833 4863 e (12) 3834 1382, além do celular (12) 99785 3615 para o serviço SOS Animais Marinhos.



Baixada Santista

O Instituto Gremar gerencia o Centro de Despetrolização e Reabilitação (CRD) localizado em Guarujá e atua no monitoramento e atendimento de animais marinhos na Baixada Santista. Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, o contato é 0800 642 3341 e (13) 99711 4120.

Praia Grande a Peruíbe

O Instituto Biopesca é responsável pelo trecho 08 do PMP-BS, que compreende Praia Grande a Peruíbe. Para solicitar o resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos debilitados ou mortos, os contatos são 0800 642 3341, em horário comercial, e (13) 99601 2570, disponível 24 horas para WhatsApp e chamadas a cobrar.

Importante: em uma situação de emergência, o mais importante é não tentar resgatar ou transportar o lobo-marinho por conta própria. A equipe especializada deve avaliar se o animal está apenas descansando ou se precisa de atendimento.



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