Lobo-marinho juvenil foi monitorado por vários dias no canal de São Sebastião antes de ser capturado pelo Instituto Argonauta
Rhauanny Queiroz
Publicado em 07/07/2026, às 10h49
Um jovem lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) foi resgatado pelo Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, após permanecer por dias sob monitoramento no canal de São Sebastião, em Ilhabela, litoral norte paulista.
O animal, avistado pela primeira vez no domingo (5), apresentava lesões e comportamento que aumentava o risco de acidentes com embarcações, o que motivou o encaminhamento para o Centro de Reabilitação e Despetrolização da instituição, em Ubatuba.
Desde o primeiro avistamento, o lobo-marinho vinha sendo acompanhado após sucessivos acionamentos da população. Segundo o Instituto Argonauta, o animal permanecia muito próximo das embarcações que trafegam pelo canal e apresentava baixa resposta à aproximação dos barcos. Tal situação representava risco iminente de colisões e dificultava uma avaliação veterinária completa enquanto permanecia na água.
A captura ocorreu em frente à praia de Santa Teresa, entre os flutuantes do Iate Clube de Ilhabela. A operação contou com apoio da Defesa Civil e da Secretaria de Mobilidade e Segurança da prefeitura de Ilhabela, que disponibilizou uma embarcação para a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pelo Instituto Argonauta.
Após a contenção, a médica-veterinária Isabela Moreira constatou que o lobo-marinho estava magro e apresentava uma lesão no olho esquerdo, além de machucados na orelha e na nadadeira peitoral esquerda, compatíveis com uma possível interação com petrechos de pesca.
Apesar de estar responsivo e ativo, trata-se de um animal jovem que apresenta algumas condições clínicas importantes que exigem tratamento e acompanhamento contínuos. Durante a reabilitação, ele receberá todos os cuidados necessários para sua recuperação e somente retornará ao ambiente natural quando apresentar condições clínicas adequadas", explicou a veterinária.
Segundo o Instituto Argonauta, o animal permanecerá no Centro de Reabilitação e Despetrolização, em Ubatuba, onde receberá alimentação adequada, tratamento para as lesões, monitoramento clínico e acompanhamento diário até que esteja apto para voltar ao ambiente natural.
A diretora executiva do Instituto Argonauta e coordenadora técnica do PMP-BS no Trecho 10, Carla Beatriz Barbosa, explicou que a decisão pelo resgate ocorreu somente após dias de acompanhamento do comportamento do animal.
Recebemos diversos acionamentos ao longo dos últimos dias e acompanhamos cuidadosamente o comportamento desse lobo-marinho antes de definir qualquer intervenção. Como ele permanecia na água e muito próximo das embarcações, a avaliação clínica em campo era bastante limitada. A captura permitiu que nossa equipe realizasse um exame mais detalhado e identificasse alterações que justificaram seu encaminhamento ao Centro de Reabilitação. Cada ocorrência é avaliada individualmente, sempre buscando a alternativa que ofereça maior segurança ao animal e às pessoas", afirmou.
O presidente do Instituto Argonauta e diretor executivo do Aquário de Ubatuba, oceanólogo Hugo Gallo Neto, destacou a importância da participação da população para o sucesso do atendimento.
A conservação da fauna marinha depende da integração entre diferentes instituições e da participação da sociedade. Neste caso, os acionamentos da população permitiram o monitoramento contínuo do animal e contribuíram para que a equipe pudesse definir o momento mais adequado para a intervenção. Esse trabalho conjunto é essencial para que possamos atuar de forma segura, técnica e eficiente na proteção da fauna marinha", disse.
O lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) ocorre naturalmente na costa da América do Sul, com colônias reprodutivas concentradas principalmente no Uruguai, Argentina, Chile e ilhas Malvinas.
Durante o inverno, principalmente, os indivíduos juvenis podem alcançar o litoral sudeste brasileiro durante deslocamentos naturais em busca de alimento. Em muitos casos, chegam debilitados ou apresentam lesões provocadas pela longa viagem e por interações com atividades humanas, como redes e outros petrechos de pesca.
Segundo o Instituto Argonauta, o atendimento especializado aumenta as chances de recuperação e retorno desses animais ao ambiente natural.
Ao encontrar um mamífero marinho em praias, costões ou próximo a embarcações, a orientação do Instituto Argonauta é manter distância e evitar qualquer tipo de interação. Também não é recomendado tentar alimentar o animal, tocá-lo ou conduzi-lo de volta ao mar, pois isso pode provocar estresse e agravar seu estado de saúde.
A população deve acionar imediatamente a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) pelo telefone 0800 642 3341 e pelo WhatsApp (12) 99785 3615, informando o local e, se possível, enviando fotos ou vídeos para auxiliar na avaliação da ocorrência.