Bombeiros salvaram a ave presa em uma árvore próxima à praia, na manhã de hoje (30); prefeitura alerta sobre o acionamento correto de socorro
Thomas Henry
Publicado em 30/07/2026, às 14h27
Uma coruja-orelhuda (Asio clamator) mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, na manhã desta quinta-feira (30), no bairro Aruan, em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo. O animal ficou enroscado pelo pescoço em uma linha de nylon, pendurada na copa de uma árvore, próximo à praia.
Os bombeiros retiraram a ave com segurança e a entregaram aos cuidados do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) do município. A prefeitura informou que a avaliação da equipe médica veterinária constatou que a coruja não tinha ferimentos que impedissem o voo e pode retornar ao seu habitat.
A administração municipal ainda ressaltou que o CCZ atua apenas em situações emergenciais específicas e reforçou que resgates de fauna silvestre em risco devem ser direcionados à Polícia Militar Ambiental.
Conhecida também como coruja-gato, coruja-listrada e mocho-orelhudo, a espécie de porte médio mede entre 34cm e 42 centímetros. O nome popular vem das penas proeminentes em tom castanho-escuro e preto no alto da cabeça, que se assemelham a orelhas, além do disco facial claro com uma borda escura bem marcada.
Já seu nome científico, Asio clamator, remete à sua característica de "gritadora", devido ao repertório vocal variado que inclui desde gritos agudos em intervalos regulares até sons semelhantes a latidos.
Entre os atributos mais impressionantes da ave de rapina está a capacidade de rotação do pescoço. Enquanto pássaros comuns conseguem girar a cabeça em um limite médio de até 180 graus, a coruja-orelhuda alcança incríveis 270 graus de movimento.
Essa flexibilidade, aliada a penas macias e densas que eliminam o ruído do vento durante o voo, transforma o animal em um caçador noturno implacável de roedores, morcegos, répteis e pequenos anfíbios.
O fascínio natural pela ave faz com que pessoas a busquem como animal de estimação. O médico-veterinário Danilo Sato, do quadro É Pet? da TV Cultura Litoral, esclarece que a domesticação da coruja-orelhuda é permitida no Brasil, mas exige o cumprimento rigoroso da legislação.
Para o convívio em casa, a compra da ave carnívora deve ocorrer exclusivamente em criatórios legalizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), com identificação por anilha. O especialista ainda ressalta que retirar o bicho diretamente da natureza configura crime ambiental e prejudica a preservação da espécie.