Lagarto invasor ameaça ecossistema do litoral de São Paulo

No quadro É Pet, o veterinário Danilo Sato explica os riscos do anolis-verde, réptil exótico que muda de cor e desequilibra a fauna nativa

Redação
Publicado em 29/06/2026, às 10h01

Lagarto Anolis porcatus altera a coloração entre o verde e o marrom de acordo com a temperatura e o ambiente - Павел Хлыстунов/Pexels


A presença de um réptil exótico em muros, árvores e jardins tem chamado a atenção dos moradores do litoral. No quadro É Pet, da TV Cultura Litoral, o veterinário e apresentador Danilo Sato alertou sobre a expansão do Anolis porcatus, um lagarto invasor originário de Cuba que já se estabeleceu na área urbana de São Paulo e de outros estados brasileiros.

Conhecido popularmente como anolis-verde, o animal de pequeno porte entrou no país de forma involuntária. A principal hipótese é que a espécie tenha desembarcado na região do litoral por meio do transporte de cargas na área portuária. Embora antes ficasse restrito a habitats isolados e próximos à mata, o encontro com esse lagarto tornou-se frequente no dia a dia das cidades.

Características e camuflagem

O anolis-verde mede entre 15 e 20 centímetros de comprimento, considerando a cauda, e destaca-se pela agilidade. Os machos da espécie exibem um "papo" colorido e vibrante, utilizado principalmente para a comunicação e a demarcação de território.



Uma das principais curiosidades sobre o réptil é a sua capacidade de mudar de cor. O mesmo indivíduo pode alternar a pele entre o verde vibrante e o marrom escuro. Essa transição ocorre em função de múltiplos estímulos, tais como:

Impacto ambiental 

Apesar de ser considerado um animal bonito por muitas pessoas, o Anolis porcatus representa um grave perigo para a biodiversidade local. Por causa de sua alta capacidade de adaptação ao clima tropical, ele se espalhou rapidamente e passou a competir diretamente por recursos com os lagartos nativos do Brasil.

O desequilíbrio gerado pela espécie invasora afeta toda a cadeia alimentar. O animal consome grandes volumes de insetos e pequenos invertebrados, reduzindo essas populações de forma descontrolada e modificando a estrutura do ecossistema original. Em razão desses danos ambientais, o veterinário Danilo Sato reforça que é proibido criar esse animal como pet.



Caso o morador encontre o réptil em sua residência, a orientação é não tentar capturá-lo por conta própria e evitar o manejo incorreto. O procedimento ideal envolve o acionamento imediato dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo manejo de fauna:

Se você acabar encontrando um animalzinho desse em casa, acionem as autoridades, como a Guarda Civil Ambiental ou a Polícia Ambiental, para eles poderem fazer o resgate e a destinação correta desse animalzinho."

*Com informações do apresentador e veterinário Danilo Sato, para o quadro É Pet?, da TV Cultura Litoral.

Para mais conteúdos: