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Guarujá tem caso suspeito de síndrome respiratória em ave silvestre

Ministério da Agricultura investiga suspeita em pato-do-mato encontrado no Sítio Conceiçãozinha; amostras aguardam análise laboratorial

Rodrigo Florentino
Publicado em 05/11/2026, às 11h45

Animal pode atingir de 85 a 120 centímetros de envergadura - Reprodução/Bernard Dupont/Wikipedia (imagem ilustrativa)


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) investiga um caso de suspeita de síndrome respiratória em uma ave silvestre encontrada em Guarujá, no litoral de São Paulo. 

A espécie é o pato-do-mato (Cairina moschata), e a ocorrência foi registrada no bairro Sítio Conceiçãozinha.

A informação está disponível no painel de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves da pasta governamental, criado para dar transparência e permitir o acompanhamento, em tempo real, das notificações de suspeitas de doenças graves na avicultura do país.



Os casos classificados como em investigação são aqueles nos quais as amostras já foram coletadas, mas ainda não há resultados laboratoriais conclusivos.

Possíveis doenças

Entre as doenças monitoradas no painel de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves da pasta governamental estão a gripe aviária e a Doença de Newcastle.

A gripe aviária é uma doença infecciosa que afeta aves e mamíferos, incluindo humanos. Desde 2022, surtos da doença, principalmente causados pelo vírus A(H5N1), foram registrados em diversos países das Américas, inclusive no Brasil.



A transmissão para pessoas é rara e geralmente ocorre pelo contato direto e desprotegido com aves infectadas ou ambientes contaminados. A transmissão entre humanos é considerada limitada, ineficiente e não sustentada.

O período de incubação varia normalmente de um a dez dias. Entre os sintomas estão febre alta, tosse, desconforto respiratório, dor de garganta, náuseas, vômitos e diarreia.

Em casos graves, a infecção pode evoluir para pneumonia, insuficiência respiratória e falência de múltiplos órgãos. 



Já a Doença de Newcastle (DNC) é uma infecção viral contagiosa que afeta principalmente aves, mas também pode atingir répteis, mamíferos e seres humanos.

A transmissão ocorre principalmente por meio de partículas expelidas por aves infectadas ou pelo contato com produtos e superfícies contaminados.

Considerada erradicada no Brasil desde 2006, a doença voltou a ser registrada em julho de 2024, em uma granja comercial de frangos no Rio Grande do Sul.



Em 18 de outubro de 2026, um novo foco foi confirmado em uma criação comercial de perus em Santa Catarina.

Entre os sinais da doença de Newcastle estão espirros, respiração acelerada, asas caídas, dificuldade para movimentar as pernas, alterações na posição da cabeça e do pescoço, perda de apetite e diarreia com coloração esverdeada.

Ao encontrar aves mortas ou que apresentem dificuldades de locomoção, falta de coordenação, torção no pescoço ou problemas respiratórios, evite qualquer aproximação ou contato com os animais.



A orientação é manter distância e comunicar imediatamente as autoridades competentes, como a Polícia Militar Ambiental e a secretaria de Meio Ambiente do município, estadual ou o ministério.

Conheça o pato-do-mato

O pato-do-mato pode atingir de 85 a 120 centímetros de envergadura.

Há diferenças de tamanho entre os sexos: os machos chegam a pesar cerca de 2,2 quilos, enquanto as fêmeas apresentam pouco mais da metade desse peso.



A espécie tem plumagem predominantemente preta e manchas brancas nas asas.

Essa área clara tende a ficar mais extensa à medida que a ave envelhece, mas costuma ser menor ou inexistente nas fêmeas e nos exemplares jovens.

Outra diferença entre machos e fêmeas está na aparência da cabeça. As fêmeas não possuem topete na parte frontal nem penacho na nuca, além de apresentarem poucas carúnculas na base do bico.



Já os machos têm essas estruturas mais desenvolvidas. Uma característica comum aos dois sexos é a presença de uma faixa esbranquiçada no bico.

A espécie está presente em todo o território brasileiro e também ocorre em países como México e Argentina.

Seu habitat inclui rios e lagos cercados por vegetação. Entre seus hábitos está o de utilizar árvores altas em áreas florestais e matas ribeirinhas para descansar durante a noite.



A alimentação é composta principalmente por plantas aquáticas, folhas e brotos. Durante o período reprodutivo, a ave procura locais próximos à água e às bordas de áreas de mata para construir seus ninhos, geralmente em cavidades de palmeiras mortas.

De acordo com a classificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o pato-do-mato está na categoria de pouco preocupante quanto ao risco de extinção.

Já as informações sobre sua expectativa de vida em cativeiro ainda são insuficientes.



A relação da espécie com os seres humanos é antiga.

Povos indígenas da América do Sul já domesticavam essas aves para aproveitar sua carne. Atualmente, o pato-do-mato também é criado em fazendas e chácaras, inclusive como animal de estimação.

Sua vocalização é grave e semelhante a um bufar, sendo emitida principalmente pelos machos durante disputas.



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