Feira em Bertioga busca lares para cães resgatados e sobreviventes de abandono

Cães resgatados com sarna ou amarrados em postes ganham nova chance de encontrar uma família na Tenda de Eventos de Bertioga

Mayumi Kitamura
Publicado em 30/04/2026, às 11h45

Animais disponíveis para adoção estão com vacinação em dia, castrados e vermifugados - Divulgação/ONG Pelos e Patas na Areia


O trauma do abandono ronda a vida de cães e gatos que buscam um recomeço, em Bertioga,  litoral paulista. Mesmo resgatados, esses animais ainda buscam por um lar definitivo, cheio de amor e carinho para esquecer o passado. Para isso, a ONG Pelos e Patas na Areia promove uma feira de adoção para dar uma nova família a dez dos 50 animais que a entidade acolheu das ruas.

O resgate da cadela Kira expôs um cenário de negligência extrema. A fêmea chegou à ONG acompanhada de cinco filhotes, todos com infestação de sarna, carrapatos e vermes. Castrada e com a saúde totalmente restabelecida após tratamento, ela busca o acolhimento de uma família definitiva | Foto: Divulgação

A ação tem data marcada para o dia 9 de maio, das 10h às 15h, e, com apoio da Secretaria de Turismo e Cultura de Bertioga, contará com espaço da Tenda de Eventos ao lado do Forte São João, no Centro.

A ação não abrange os animais disponíveis para doação no Centro de Controle de Zoonoses de Bertioga, que atualmente conta com cerca de 160 pets.



A feira da ONG Pelos e Patas na Areia é somente de animais abrigados pela entidade em Boraceia, que soma 30 cães e 20 gatos.

Os animais que aguardam um novo lar estão com castração, vacinação e controle de vermes em dia, informou a ONG.

Em busca de um lar

O cão Pirulito chegou ao abrigo ferido e com o peso da rejeição após sobrar em uma ninhada. Com a saúde recuperada, o animal de porte médio exibe energia de sobra para brincar e correr. Ele possui perfil territorialista e convive melhor em lares apenas com cadelas fêmeas | Foto: Divulgação

Entre os escolhidos para a feira, alguns têm trajetórias marcadas pela negligência. O cão Lupy, de sete anos, carrega a história da fundação do abrigo. Alguém o amarrou em um poste quando ele ainda era filhote e hoje o cão mantém um perfil quieto e tímido.



A cadela Kira chegou à ONG com cinco filhotes, todos eles com sarna, carrapatos e vermes. Após um longo período de tratamento, essa mãezinha busca um lar seguro. Já o pequeno Pirulito, que chegou machucado e precisou de cuidados intensivos, hoje exibe energia para correr e brincar com outros animais.

A feira também traz o cão Thor, abrigado em 2021 com a mãe e a irmã. O animal ganhou um lar temporário, mas precisou voltar ao canil. Depois, conseguiu uma adoção definitiva, que se mostrou temporária, já que o responsável o devolveu e criou um histórico de rejeição que tornou Thor um cão mais fechado, carente de paciência para revelar seu lado dócil.

Amarrado a um poste quando ainda era filhote, Lupy inspirou a criação da própria entidade de proteção animal. Hoje com sete anos, ele carrega as marcas do abandono por meio de um comportamento quieto e tímido. O cão busca tutores dispostos a oferecer paciência e um ambiente tranquilo | Foto: Divulgação

Regras para a adoção

A ONG mantém um processo rigoroso de triagem para garantir um bom lar para esses pets e evitar mais sofrimento. Para adotar, o candidato deve apresentar RG, comprovante de endereço e fotos do espaço reservado para ele na residência. A equipe exige uma entrevista no local, o uso de coleira ou caixa de transporte na saída e a autorização para visitas de acompanhamento no período pós-adoção.



A entidade ressalta a importância do bem-estar animal e o cumprimento das obrigações legais do tutor, como a manutenção dos cuidados básicos e a criação sem prender o pet. O animal precisa de espaço próprio para dormir, potes de água limpa, vacinação anual, visitas ao veterinário e passeios diários.

Trabalho voluntário

A ONG Pelos e Patas na Areia atua na linha de frente da proteção animal contra os maus-tratos, mas a busca por lares amorosos cobra um preço alto diário. Manter o abrigo exige o pagamento constante de grande quantidade de ração, medicamentos, cirurgias e honorários de médicos veterinários.

O cão Thor acumula um histórico de perdas desde 2021. Ele enfrentou o abandono nas ruas, a perda de um lar temporário e a devolução após um processo de adoção. A sucessão de rejeições moldou um animal fechado, que exige tutores pacientes para resgatar sua confiança e docilidade | Foto: Divulgação

A entidade privada e sem fins lucrativos depende de apoio financeiro e conta, atualmente, com o empenho de 15 voluntários. Por isso, toda e qualquer quantia doada garante a assistência a essas vidas resgatadas e afasta o risco de fechamento das portas. Com apenas R$ 10 mensais, é possível colaborar como um associado oficial da ONG.



As doações avulsas caem direto na conta do projeto via PIX pela chave 31.351.995/0001-69 (CNPJ). O repasse também possui canal na Caixa Econômica Federal, por meio da agência 2728 e conta 577532224-6.

Também é possível colaborar sem qualquer quantia. Para ajudar, basta doar tempo e afeto, com apoio na limpeza e passeios com os animais no abrigo.



Bertioga

Leia também

Outono esconde perigo silencioso para a saúde de cães e gatos


Guarda compartilhada de pets passa no Senado com regras rígidas