Espécie é uma das aves mais inteligentes da fauna sul-americana, mas sua criação exige regras e documentação previstas na legislação ambiental
Redação
Publicado em 17/07/2026, às 14h26
A caturrita (Myiopsitta monachus) é uma das aves mais inteligentes e sociáveis da fauna sul-americana. Com plumagem verde, peito acinzentado e comportamento curioso, a espécie desperta o interesse de muitas pessoas que sonham em criá-la como animal de estimação. No entanto, antes de adquirir uma ave, é importante conhecer o que determina a legislação ambiental brasileira.
Diferentemente do que muita gente imagina, não é possível legalizar uma caturrita retirada da natureza ou adquirida de forma irregular. A única forma de possuir a espécie de maneira legal é comprando um exemplar proveniente de um criadouro autorizado pelos órgãos ambientais competentes, com toda a documentação que comprove sua origem.
Quem mantém um animal silvestre sem autorização ou sem comprovação de procedência está sujeito às penalidades previstas na legislação ambiental, que podem incluir multa e detenção.
Para adquirir uma caturrita legalizada, o primeiro passo é procurar um criadouro autorizado pelos órgãos ambientais responsáveis pela criação e comercialização de animais silvestres.
A ave deve ser entregue com a documentação que comprove sua origem legal, como nota fiscal e os registros exigidos pela legislação vigente. Esses documentos são fundamentais para garantir que o animal não tenha sido retirado da natureza ou obtido por meio do tráfico de fauna.
Caso uma pessoa encontre uma caturrita sem procedência conhecida ou mantenha um animal adquirido irregularmente, não há possibilidade de regularizar a situação posteriormente.
Nesses casos, a orientação é encaminhar a ave a um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) ou a um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), onde receberá a destinação adequada.
A caturrita pertence à ordem psittaciformes e à família psittacidae, a mesma de papagaios, araras e periquitos. Também é conhecida em algumas regiões como catorra, cocota, periquito-barroso e papo-branco.
A espécie ocorre naturalmente em áreas subtropicais e temperadas da América do Sul, sendo encontrada no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. No território brasileiro, está presente principalmente no Pantanal e na região Sul.
Os adultos medem entre 28 e 33 centímetros de comprimento. A plumagem verde no dorso contrasta com o peito, a garganta e a testa acinzentados. O bico alaranjado e as penas azuladas nas asas e na cauda completam o visual característico da espécie.
Apesar de não ser considerada ameaçada de extinção, a caturrita sofre impactos provocados principalmente pelo comércio ilegal de animais silvestres, que reduz populações naturais em algumas regiões.
Uma das maiores curiosidades da caturrita é seu comportamento reprodutivo. Diferentemente dos demais psitacídeos, como papagaios e araras, ela é a única espécie conhecida por construir o próprio ninho.
Enquanto outras aves da família utilizam cavidades em árvores e barrancos para reproduzir, a caturrita reúne gravetos para formar grandes ninhos comunitários nos galhos mais altos das árvores.
Essas estruturas podem atingir cerca de um metro de diâmetro e pesar até 200 quilos, sendo utilizadas durante todo o ano tanto para reprodução quanto como abrigo contra o frio e as tempestades. Em um mesmo ninho podem viver diversos casais, cada um ocupando sua própria câmara.
A alimentação da caturrita é composta principalmente por frutos, sementes, verduras, legumes, flores e brotos. A espécie costuma viver em casais ou em bandos que podem reunir dezenas de indivíduos.
Com o avanço da urbanização e das atividades agrícolas, a ave demonstrou grande capacidade de adaptação. Em algumas regiões passou a utilizar eucaliptos como local de nidificação e encontrou nas lavouras uma fonte abundante de alimento, o que favoreceu o aumento de suas populações.
Essa facilidade de adaptação também permitiu que a espécie se estabelecesse em outros países, como Estados Unidos, Espanha e Bélgica, após indivíduos oriundos do cativeiro escaparem ou serem soltos na natureza.
Especialistas reforçam que retirar animais silvestres da natureza ou comprá-los sem documentação contribui para o tráfico de fauna, uma das principais ameaças à biodiversidade brasileira.
Quem deseja criar uma caturrita deve sempre procurar estabelecimentos autorizados e exigir a documentação de origem da ave. Dessa forma, além de cumprir a legislação, o tutor contribui para a conservação da espécie e para o combate ao comércio ilegal de animais silvestres.