Uma das serpentes mais venenosas do Brasil foi filmada nas águas da cachoeira do Corrêa, em Ubatuba; Butantã explica riscos da coral-verdadeira
Lenildo Silva
Publicado em 27/09/2024, às 16h53 - Atualizado às 17h05
Uma cobra da espécie Micrurus corallinus, popularmente conhecida como coral-verdadeira, foi flagrada durante um "bom banho de sol e mergulho" na cachoeira do Corrêa, no bairro Sertão da Quina, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. O registro é do turista argentino Nicolás Hertel, que visitava o local com a namorada e um amigo, na tarde de quinta-feira (26).
Nicolás contou que estavam sentados nas pedras, à beira do rio Maranduba, quando ele percebeu a aproximação da coral-verdadeira, vindo por trás e iniciou o registro com gravação e fotos do momento em que ela rastejava entre as pedras e mergulhava na água da cachoeira. Apesar do susto, os turistas seguiram com o passeio sem incidentes.
A pedido da reportagem, o biólogo Giuseppe Puorto, diretor cultural do Instituto Butantan, analisou as imagens e confirmou que a cobra filmada se trata, de fato, de uma coral-verdadeira. A espécie é conhecida por possuir um dos venenos mais letais entre as cobras brasileiras. Apesar disso, a coral-verdadeira é uma serpente de hábitos tímidos e raramente ataca.
De acordo com o Butantan, a coral-verdadeira é comum na Mata Atlântica e possui um padrão de cores característico, com listras pretas, vermelhas e brancas, que servem como um aviso aos predadores sobre sua toxicidade. O veneno da serpente age diretamente no sistema nervoso, podendo causar diversos sintomas, como dormência, visão turva, dificuldade para falar e, em casos mais graves, paralisia muscular e respiratória.
A dieta da cobra coral inclui, principalmente, lagartos, cecílias e outras serpentes. Apesar do grande perigo, o réptil é tímido e geralmente evita o contato com humanos. No entanto, é fundamental ter cuidado ao se deparar com esse réptil.
O Butantan ressalta que existem outras espécies de cobras que mimetizam a aparência da coral-verdadeira, conhecidas como corais-falsas. Essas serpentes são inofensivas, mas a semelhança física pode causar confusão e gerar acidentes. Por isso, o instituto orienta que, ao encontrar uma cobra com características semelhantes à coral, na área urbana, é recomendado manter distância e entrar em contato com os órgãos competentes. Já se o animal estiver em seu habitat, como é o caso da cachoeira, a orientação é não estressá-lo e deixá-lo seguir o caminho.
Cobra ‘toma banho de mar’ em praia do litoral de SP
Picado por jararaca, homem leva serpente à UPA e surpreende equipe médica