Com índice de regeneração superior a 80%, iniciativa também promove educação ambiental e ensina jovens a lidarem com mudanças climáticas
Redação
Publicado em 27/08/2026, às 10h16
A força das chuvas de fevereiro de 2023 marcou a história de São Sebastião, litoral norte de São Paulo, principalmente pela perda de vidas e pelo impacto severo na natureza. Após registrar 683 milímetros de precipitação em apenas 24 horas, o município contabilizou mais de 800 cicatrizes e 200 hectares de Mata Atlântica degradados.
Para curar essas feridas abertas nas encostas, a tecnologia tornou-se a principal aliada. O projeto Restaura Litoral utiliza drones para lançar biocápsulas repletas de sementes nativas e nutrientes em locais de difícil acesso e com declividade acentuada. O método acelera a regeneração do solo e alcança áreas perigosas para o plantio humano tradicional.
O engenheiro agrônomo da Atlântica Consultoria Ambiental, André Motta, explica que a estratégia otimizou a recuperação do verde.
Sabendo que a natureza faz a regeneração, nós demos um impulso para acelerar esse processo. Imitamos aquilo que a natureza já faz", destaca o especialista.
A inovação foi inspirada em um modelo aplicado pela Cetesb na década de 1980, em Cubatão, mas modernizada. Hoje, o monitoramento da área ocorre a cada três meses por meio de veículos aéreos não tripulados. Os números comprovam a eficácia: o trabalho abrange 203 hectares e 853 cicatrizes geológicas, com um índice de regeneração superior a 80% da vegetação.
Recuperar a paisagem é apenas parte da missão. A iniciativa também atua na preparação da comunidade para enfrentar as mudanças climáticas presentes e futuras por meio do projeto Escolas Seguras. Jovens do município participam de aulas sobre áreas de risco e prevenção de desastres, como inundações e deslizamentos de terra.
Para o coordenador operacional do Instituto Conservação Costeira (ICC), Jeferson Novaes, a tragédia de 2023 foi um desastre socioambiental que exigiu uma resposta integrada da sociedade.
Unimos a parte social e ambiental, causando um projeto de restauração tanto da área degradada quanto da dignidade da população que sofreu com o desastre", detalha o coordenador.
O conhecimento repassado na sala de aula já transforma a percepção dos moradores. O aluno do projeto Escolas Seguras, Pierre Joseph Santos Motta, relata que o aprendizado traz proteção real para a vizinhança. "Traz muita segurança para a gente. Sei que, se ocorrer algum desastre ou qualquer coisa do tipo, estou preparado para agir, me salvar e ajudar as pessoas que moram comigo e os vizinhos", conclui o estudante.
*Com informações da jornalista Amanda Machado, para o Jornal Litoral da TV Cultura Litoral e Vale.