RAIZ DO PERIGO

Queda de dezenas de árvores expõe risco oculto nas calçadas do litoral de São Paulo

Plantio de espécie popular em espaços pequenos potencializa acidentes com rede elétrica e imóveis em dias de ventania severa na Baixada Santista

Árvore caída em via pública de Mongaguá
Queda de árvores alerta para o plantio correto nas vias públicas - Divulgação/Prefeitura de Mongaguá


O vendaval com rajadas de 90km/h que atingiu Mongaguá, litoral de São Paulo, no fim de julho, provocou a queda de 48 árvores no município e acendeu o alerta sobre a arborização urbana.

Segundo a prefeitura, o episódio, impulsionado pela força da natureza em combinação com o plantio inadequado, revelou que 32 das espécies que caíram eram Ficus benjamina, conhecida popularmente como ficus. O dado evidencia os perigos de cultivar espécies de grande porte em espaços incompatíveis.

Para contextualizar o problema, um estudo da revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana avaliou 100 exemplares adultos de ficus em Itanhaém. A pesquisa apontou que 70% das árvores apresentavam vestígios de podas drásticas.



Essa intervenção forçada, justificada pela falta de espaço, gerou anomalias como novos brotos na copa, lesões nos troncos, incidência de cupins e projeção das raízes para fora da estrutura, o que destrói o calçamento.

O levantamento comprovou a relação direta entre o desenvolvimento da planta e a área livre. Enquanto os exemplares podados sobreviviam espremidos em calçadas com 2,87m de largura média, as árvores saudáveis e sem podas ocupavam vias amplas, com quase 13m. O cenário destaca a urgência de planejamento prévio na cidade.

O secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Mongaguá, Alexandre Barril, explica a mudança de paradigma do setor. “O Ficus benjamina foi muito utilizado na arborização residencial no passado, principalmente por seu crescimento rápido e pela formação de uma copa ampla. Hoje, com o avanço dos estudos sobre arborização urbana, sabemos que a escolha da espécie precisa levar em conta as características e o espaço disponível para o seu desenvolvimento." afirma Barril.



Alexandre também explica que, em áreas com pouco espaço para as raízes, ou próximas a calçadas, redes e outras estruturas, existem espécies mais adequadas. "Por isso, nosso trabalho é orientar o morador e incentivar o plantio de espécies nativas que sejam compatíveis com cada local” conclui.

Como medida preventiva, o Executivo elabora um mapeamento das árvores em situação de risco, por meio da Defesa Civil municipal. O foco é diagnosticar os pontos de perigo e repassar orientações, visto que os cuidados com a flora das calçadas e de áreas privadas são obrigações dos proprietários.

A gestão pública, no entanto, pode intervir sob laudo técnico se houver ameaça iminente à vida. O gestor da Defesa Civil, Argeo Rodrigues, alerta para as consequências do mau planejamento.



Uma árvore de grande porte em um espaço que não comporta seu desenvolvimento pode trazer riscos para além da própria estrutura. Em uma situação de ventos fortes, a queda pode atingir a rede elétrica e de telecomunicações, bloquear vias, danificar imóveis e veículos e até ferir pessoas." ressalta.

Ele ainda reforça que o mapeamento e a orientação aos moradores ajuda a identificar situações que precisam de atenção e a reduzir a possibilidade de novos prejuízos.

Moradores interessados em adequar suas calçadas podem solicitar mudas nativas fornecidas pela prefeitura, como ipê-amarelo, ingá, goiabeira, quaresmeira, pitangueira e araçá.

As equipes técnicas também indicam a opção ideal para cada ambiente. Solicitações de mudas e denúncias de risco são recebidas no e-mail [email protected] e pelo telefone (13) 3448 4630.



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