Pesquisadores localizaram duas espécies consideradas extintas, e outras 18, sob risco de desaparecerem, dentro do Parque do Lagamar, em Cananeia
Redação
Publicado em 21/10/2024, às 09h29 - Atualizado às 09h43
Expedição liderada por pesquisadores da flora paulista descobriu a existência de exemplares de duas espécies de plantas nativas consideradas extintas, e outras 18 espécies atualmente em processo de extinção, no estado de São Paulo. As plantas foram encontradas no Parque Estadual do Lagamar, em Cananéia, no litoral sul de São Paulo.
A pesquisa de campo na unidade de conservação ambiental foi realizada pelo grupo de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).
O objetivo da pesquisa foi registrar características da flora local. No entanto, seus autores se depararam com os exemplares da Myrcia loranthifolia e da Peperomia diaphanoides, classificadas como extintas no território paulista. Essas plantas foram encontradas em uma área preservada da restinga, que é a floresta junto à costa litorânea.
A Myrcia loranthifolia é arbustiva, arbórea, da família da jabuticaba e da pitanga (Myrtaceae), porém de maior porte. Já a Peperomia diaphanoides é uma erva epífita, ou seja, que costuma viver em cima de outras árvores, sempre no alto. Devido a isso, foi preciso contar com o auxílio de um “escalador” de árvores para acessá-la. Além disso, foram encontradas 18 espécies nativas presentes em listas de espécies ameaçadas de extinção nas categorias perigo, vulnerável e criticamente em perigo.
“Acontecimentos assim mostram a importância das unidades de conservação da natureza para proteger as espécies”, afirmou Claudio de Moura, pesquisador científico do Instituto Pesquisas Ambientais (IPA) e um dos autores responsáveis pelo estudo. “Este foi um registro que demonstra o nível de desconhecimento existente sobre a nossa flora. Deve haver várias outras espécies na mesma situação.”
Ao longo da pesquisa, foi realizado o levantamento de 540 espécies de plantas vasculares no parque. Vasculares são aquelas que possuem um sistema especializado para transporte de água, nutrientes e seiva através do organismo. Elas têm raízes, caules e folhas que permitem maior eficiência no transporte de substâncias e suporte estrutural, permitindo que atinjam maiores tamanhos e complexidade em comparação com as plantas não vasculares (como musgos).
O resultado do estudo foi publicado, em julho, na revista Hoehnea, um dos periódicos do IPA. A unidade de conservação ambiental Parque Estadual do Lagamar de Cananeia possui mais de 40 mil hectares (o equivalente a 3.887 campos de futebol) e abrange os municípios paulistas de Cananeia e Jacupiranga, integrando o Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga, com 243 mil hectares. Ele foi criado em 2008.
O parque se destaca por preservar trechos consideráveis de vegetação natural, que se estendem desde o litoral até a serra de Paranapiacaba, abrigando diferentes habitats para a conservação da biodiversidade paulista e, por consequência, da Mata Atlântica brasileira. O bioma é uma das áreas naturais mais relevantes para a conservação, devido à elevada riqueza e alto índice de espécies endêmicas, mas também sujeita às grandes pressões antrópicas (ações realizadas pelo homem que alteram o meio ambiente), que aumentam o risco de extinção.
Com informações de Semil
Pinguim e ave marinha resgatados no litoral sul de SP passam por reabilitação
Tartaruga-verde resgatada em Peruíbe é devolvida ao mar em Praia Grande