Maré baixa acentuada chamou a atenção na semana passada, principalmente em Praia Grande; professor da USP explica o que provocou o fenômeno
Esther Zancan
Publicado em 25/08/2025, às 10h30
A maré baixa da semana passada, no litoral de São Paulo, intrigou moradores e turistas. Imagens que circularam pelas redes sociais mostravam o mar bastante recuado, principalmente na cidade de Praia Grande. Não demorou para que diversas "explicações" para o fenômeno surgissem na internet, muita delas carregadas de fake news.
Até um possível tsunami foi aventado, devido a um terremoto de 7,5 graus na escala Richter, na Passagem de Drake, no extremo sul da América do Sul, na quinta-feira (21). O tremor ocorreu a aproximadamente 710 quilômetros da cidade de Ushuaia, na Argentina. Até houve um alerta de tsunami, emitido pelo Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha do Chile, mas apenas para a costa da Antártida chilena. Logo após, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) rapidamente descartou a possibilidade, informando que não havia mais riscos de tsunami para a região.
O Costa Norte foi conferir de perto a situação em Praia Grande, na sexta-feira (22). Na praia do Canto do Forte, apesar de a maré baixa ser algo comum nas manhãs, a situação estava um pouco mais acentuada. De acordo com a Guarda Costeira de Praia Grande, que tem base na praia do Canto do Forte, apesar de a maré baixa daquele dia estar mais acentuada que nos dias anteriores, não era algo que pudesse ser considerado fora do normal.
A própria geografia da praia, que conta com uma faixa bem extensa de areia e pouco declive até a linha d'água favorecia uma espécie de ilusão de ótica, quando o mar parecia estar mais longe do que o real. Dependendo da altura em que as imagens eram captadas, a sensação de que o mar havia "sumido" era maior.
No sábado (23), outra cena chamava a atenção, desta vez na divisa entre Santos e São Vicente. A maré baixa permitia que os banhistas alcançassem a pé a ilha de Urubuqueçaba. Apesar de também não ser considerado tão incomum assim, a visão da ilha com pouquíssima água ao redor da face voltada para a orla era curiosa.
O vice-diretor do Instituto Oceanográfico da USP, professor doutor Eduardo Siegle, explicou para o Costa Norte o que realmente foi determinante para a maré baixa na Baixada Santista na semana passada.
Previsão de calor no litoral de SP: confira quais praias estão próprias para o banho
Ciclone se afasta e veranico chega: confira o clima no fim de semana do litoral de SP