Monitoramento encontra mais de 18 mil fragmentos de microlixo na praia de Santos

Levantamento do Instituto Mar Azul aponta aumento de resíduos plásticos e bitucas na faixa de areia da praia do Gonzaga, no litoral paulista

Redação
Publicado em 22/12/2025, às 10h47

Coleta durante o 4º Mutirão de Limpeza de Praia, dia 20 passado - Arquivo pessoal / Divulgação


Mais de 18 mil fragmentos de microlixo foram retirados da faixa de areia da praia do Gonzaga, em Santos, no litoral paulista, entre setembro e dezembro de 2025. O número resulta do Projeto de Monitoramento de Microlixo, desenvolvido pelo Instituto Mar Azul (IMA) e concluído após o 4º Mutirão de Limpeza de Praia, realizado no sábado (20).

A área analisada foi a faixa de areia em frente à praça das Bandeiras, no bairro do Gonzaga. As coletas ocorreram em um transecto delimitado, metodologia que permite avaliar a concentração e o tipo de resíduos sólidos presentes no ambiente costeiro.

O levantamento contabilizou 18.211 fragmentos. Os plásticos lideraram o ranking, com 9.347 unidades, seguidos por 4.103 bitucas de cigarro e 2.337 fragmentos de papel. Juntos, esses materiais concentraram a maior parte do microlixo identificado na área monitorada.



O estudo também apontou crescimento preocupante de resíduos como pinos eppendorf, tampas de plástico e de metal e canudos plásticos. O uso de canudos descartáveis é proibido em Santos pela Lei Complementar nº 1.010, sancionada em julho de 2018, com vigência desde abril de 2019.

“O volume de resíduos encontrados é alarmante e mostra que ainda estamos longe de mudar hábitos. A situação exige ações imediatas e responsabilidade coletiva frente aos impactos ambientais. Não dá mais para adiar”, afirma o diretor-presidente do Instituto Mar Azul, Hailton Santos.

O projeto foi viabilizado por meio de Termo de Fomento da Emenda Parlamentar nº 214, indicada em 2024 pelo vereador Marcos Oliveira Libório, e formalizado entre o Instituto Mar Azul e a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, de Santos.



Reconhecido como entidade de utilidade pública, o Instituto Mar Azul é uma organização não governamental voltada à defesa da balneabilidade das praias e à preservação da vida marinha. A instituição surgiu a partir do Manifesto Onda Azul, em 26 de agosto de 2012, motivado pela preocupação com o avanço do microlixo nas praias de Santos.

Desde 2013, o IMA já promoveu 145 mutirões de limpeza, com a retirada de mais de 1 milhão de fragmentos de resíduos da faixa de areia, calçadões, da ilha Urubuqueçaba e do mar de Santos. Entre os materiais recolhidos estão plásticos (410 mil); bitucas de cigarro (396 mil); isopor (70 mil); papel (35 mil); metal (33 mil); madeira (12 mil) e outros resíduos (44 mil).

Microplástico: impacto que vai além das praias

Estudos científicos já identificaram partículas de microplástico em órgãos humanos como pulmão, sangue, placenta e cérebro, o que amplia a preocupação com o descarte inadequado de resíduos plásticos. No Brasil, pesquisadores defendem políticas mais rigorosas para reduzir a produção e o consumo de descartáveis.



Segundo a organização Oceana, o país é o oitavo maior poluidor de plástico do mundo, com o despejo cerca de 1,3 milhão de toneladas do material no oceano todos os anos. Apenas 1,3% do plástico é reciclado no território nacional (Fonte: Brasil 61)

O Projeto de Lei 2524/2022, conhecido como PL do Oceano Sem Plástico, propõe diretrizes para uma economia circular, com foco na redução de descartáveis e estímulo à reutilização, mas está parado no Senado há mais de 600 dias. Pesquisadores alertam que, sem mudanças estruturais na produção e no consumo, os impactos ambientais e à saúde pública tendem a se intensificar.



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