Ações de limpeza envolveram pescadores artesanais e ampliaram a coleta de resíduos em Guarujá, Bertioga e Ubatuba, no primeiro trimestre do ano
Redação
Publicado em 28/04/2025, às 11h41
O litoral de São Paulo registrou a retirada de 29 toneladas de resíduos marinhos e de manguezais nos primeiros três meses de 2025, segundo dados da Fundação Florestal. O volume representa aumento de 198% em relação ao mesmo período do ano passado, resultado das ações do programa Mar sem Lixo em parceria com pescadores artesanais.
De acordo com a fundação, a iniciativa, criada em 2022, busca combater o descarte irregular de resíduos e fortalecer a inclusão socioeconômica de comunidades tradicionais. Desde 2024, o programa passou a reconhecer a limpeza de manguezais como atividade ambiental remunerada, especialmente durante o defeso do camarão, ampliando o alcance das ações de conservação.
O número de pescadores cadastrados no projeto subiu de 200 para 275 neste ano, com crescimento também no valor dos repasses feitos pelo Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Entre janeiro e março, foram pagos R$ 137.225 em benefícios, superando os R$ 89.888 repassados no mesmo período do ano passado. Cada pescador recebe até R$ 653 mensais, via cartão-alimentação, como reconhecimento pelo serviço ambiental prestado.
A instituição afirma que a maior parte dos resíduos recolhidos no trimestre — mais de 27 toneladas — veio de mutirões realizados em manguezais e ilhas nos meses de fevereiro e março. O município do Guarujá liderou o volume de material retirado, seguido por Bertioga e Ubatuba. Em janeiro, ainda durante a pesca de camarão com arrasto, pescadores recolheram 1,7 tonelada de resíduos diretamente do mar.
De acordo com a coordenação do programa, o aumento expressivo da coleta reflete a adesão crescente das comunidades locais. “Em 2024, demos um passo inédito ao expandir o PSA para ações em manguezais. Como era uma iniciativa nova, o primeiro ano foi de adaptação”, explica Sandra Leite, coordenadora do Mar sem Lixo.
O programa atua em quatro eixos: o Pagamento por Serviços Ambientais; ações educativas junto às comunidades; produção de dados para políticas públicas e pesquisas científicas e captação de parcerias para expansão da iniciativa. A atuação ocorre em áreas das APAs marinhas do litoral sul, centro e norte, explica a instituição.
Segundo Rodrigo Levkovicz, diretor executivo da Fundação Florestal, a iniciativa reforça a importância de integrar conservação ambiental e fortalecimento das comunidades tradicionais. “Os pescadores se tornam protagonistas da proteção dos nossos mares, gerando impacto positivo não só para a natureza, mas também para a economia local”, afirma. Desde seu lançamento, o Mar sem Lixo já retirou mais de 60 toneladas de resíduos da costa paulista e se consolida como referência em ações de conservação marinha com participação comunitária.
Previsão de tempo bom no litoral de SP contrasta com 60 praias impróprias
Cooperativa de Bertioga transforma vida de mulheres e o meio ambiente com reciclagem