Mantas do Brasil leva saber das comunidades pesqueiras do litoral de SP à COP30

Projeto fundado em Santos participará de painel, em Belém, sobre o papel das comunidades tradicionais na economia azul e nas metas climáticas do país

Redação
Publicado em 13/11/2025, às 14h24

Projeto de monitoramento participativo das raias-manta, com registros feitos pelos pescadores parceiros será apresentado - Valdemar Oliveira


O Projeto Mantas do Brasil, em parceria com a Petrobras, e patrocínio da Autoridade Portuária de Santos (APS), vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos, foi convidado a participar da COP30, em Belém (PA).

A iniciativa marcará presença no painel Pesca Artesanal e Economia Azul, no dia 18 de novembro, das 11h às 12h30, no prédio da Economia Criativa, zona verde do evento.

A proposta é evidenciar como o conhecimento tradicional das comunidades pesqueiras da Baixada Santista e de outras regiões pode contribuir para políticas públicas e metas climáticas.



O debate será mediado por William Freitas, presidente do Instituto RedeMAR Brasil, com participação de Thiago Costa, do Projeto Costamar; Paula Romano e Letícia Schabiuk, do Mantas do Brasil; Quêner Chaves dos Santos, do Ministério da Pesca; Líder Gongorra, representante dos Povos do Mar e Luena Maria, dos povos indígenas.

Paula Romano, coordenadora geral do projeto, explica: “Nosso objetivo é mostrar que a conservação marinha e o desenvolvimento sustentável podem caminhar juntos. As comunidades costeiras acumulam saberes valiosos sobre o oceano e precisam ser ouvidas quando se fala em futuro climático”.

Letícia Schabiuk, coordenadora executiva do Mantas do Brasil, reforça que unir ciência e saber popular é essencial para uma economia azul sustentável. “Os pescadores têm uma compreensão profunda dos ciclos naturais e da dinâmica do mar. Quando esses saberes se somam à pesquisa científica, construímos políticas públicas mais eficazes e adaptadas à realidade de cada região”, explica.



Durante o evento, o projeto apresentará experiências com pescadores da Baixada Santista, como o documentário Arrasta Maré, que retrata a tradição do arrasto de praia e a vivência das comunidades costeiras.

A produção conta a história de Rocha, um dos últimos pescadores de arrasto de Santos, e revela os desafios de uma prática ancestral em meio às transformações do mundo moderno.

“Essas histórias mostram que a conservação não precisa ser excludente. Ao contrário, quando ela é feita com as pessoas, o resultado é mais duradouro e justo”, destaca Letícia.



O Mantas do Brasil também vai apresentar ações voltadas à redução de impactos da pesca e ao monitoramento participativo das raias-manta, com registros feitos pelos próprios pescadores parceiros. “Recebemos relatos diretos sobre encontros com mantas. Essa troca mostra que é possível conservar e pescar de forma responsável, sem prejuízo para ninguém”, afirma Paula.

A participação do projeto está alinhada ao Pacote Azul, iniciativa lançada durante a COP30, que busca acelerar soluções climáticas baseadas no potencial dos oceanos. O plano reconhece os ecossistemas marinhos como aliados essenciais na regulação do clima e na absorção de carbono.

“Queremos firmar novos compromissos e mostrar que inclusão e conservação precisam caminhar juntas. É sobre dar voz a quem vive do mar todos os dias e reconhecê-los como protagonistas da economia azul”, conclui Letícia.



A COP30 ocorre de 10 a 21 de novembro, em Belém, reunindo 143 delegações de 198 países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O evento deve reunir cerca de 50 mil participantes, entre lideranças globais, sociedade civil e movimentos sociais.

O painel é uma realização do Instituto RedeMAR Brasil, com participação do Projeto Costamar, parceria da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e apoio da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Edinburgh Napier University, ESECMJ, Parna do Cabo Orange/ICMBio e das colônias de pescadores Z-6 e Z-2.

Fundado há mais de dez anos em Santos, o Projeto Mantas do Brasil é uma iniciativa do Instituto Laje Viva, ONG criada por mergulhadores indignados com a pesca e caça ilegal no Parque Estadual Marinho da Laje de Santos. O projeto atua na preservação das raias-manta, desenvolvendo ações de conscientização, pesquisa e educação ambiental.





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