A maioria das espécies confundidas com jararacas não possui veneno e não representa perigo; Instituto Butantan conta mais sobre essas espécies
Redação
Publicado em 18/08/2025, às 09h04
Chamar alguém de “cobra” é sinal de que a pessoa em questão deixou a impressão de ser falsa e traiçoeira. Mas, entre as próprias cobras, existem as que também são pura falsidade. Um bom exemplo são as falsas-corais, que simulam o desenho em anéis e as cores vermelha e preta da perigosa coral-verdadeira. Mas não são só elas que enganam seus predadores. Outras mestres do disfarce são as falsas-jararacas, que apenas fingem ser venenosas.
De acordo com o Instituto Butantan, esse grupo reúne aproximadamente 30 espécies de cobras presentes em todo o Brasil. Como o nome já diz, elas se assemelham às serpentes do gênero Bothrops e Bothrocophias, conhecidas como jararacas e responsáveis por 78% dos acidentes ofídicos no país. Por esse motivo, podem despertar medo, mas a verdade é que são inofensivas para o ser humano.
As falsas-jararacas são cobras não peçonhentas e não agressivas, em sua maioria. Elas pertencem aos gêneros Dipsas, Thamnodynastes e Xenodon. As semelhanças com a jararaca estão no padrão de listras e nas cores, que variam entre cinza, verde, amarelo e marrom. Porém, em muitos casos, fatores como o tamanho do corpo e o formato da cabeça podem ajudar a diferenciá-las.
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A imitadora mais famosa é a boipeva (Xenodon neuwiedi), também chamada de cobra-chata. Ela tem esse nome por ter o costume de achatar o corpo quando se sente ameaçada, o que a faz parecer maior. Costuma se alimentar de sapos e pode ser encontrada em pastagens, plantações e, às vezes, em áreas urbanas.
Além de desenhos semelhantes no corpo, a boipeva tem uma listra escura próxima aos olhos assim como a jararaca, quase como um “delineado”. Mas seu comprimento médio é de apenas 50cm, enquanto a jararaca pode chegar a 1,5 metro.
As dormideiras, como a Dipsas bothropoides, também são frequentemente confundidas com jararacas por terem as mesmas cores e um desenho muito parecido no corpo. Mas são serpentes pequenas e dóceis, que não passam de 50cm de tamanho, e levam esse nome por serem letárgicas e tranquilas.
A dormideira com certeza terá mais medo de você, do que você dela: ela tem o costume de se fingir de morta se alguém se aproxima ou tenta segurá-la. As Dipsas podem ser encontradas em plantações e sua dieta principal são lesmas e caracóis.
Outra falsa-jararaca é a cobra-espada (Tomodon dorsatus), que também costuma achatar o corpo. Diferente das outras imitadoras, ela é considerada agressiva e predadora. É uma espécie que possui veneno, mas sua picada não é grave para seres humanos e provoca somente sintomas locais, como dor e inchaço, enquanto a jararaca real pode causar sangramentos e problemas mais graves. A cobra-espada habita áreas abertas e matas e também gosta de se alimentar de lesmas.
O Butantan lembra que, independentemente de ser peçonhenta ou não peçonhenta, ser dócil ou ter um temperamento agressivo, o recomendado ao avistar uma cobra de qualquer espécie é se afastar e respeitar o espaço do animal. Caso ele seja encontrado em ambiente urbano, você pode informar as autoridades locais para ajudar a prevenir acidentes.
Tanto as falsas-jararacas como as falsas-corais são animais que se aproveitam de uma característica evolutiva chamada de mimetismo. Esse é um recurso de defesa usado para enganar predadores e mantê-los afastados, imitando uma espécie mais perigosa.
As imitadoras podem ocorrer não só nos mesmos ambientes onde a sua “versão verdadeira” habita, mas também se distribuir por diferentes regiões geográficas e se beneficiar dessa condição, aumentando suas chances de sobrevivência.
Com informações de Instituto Butantan
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