Regra, que passa a vigorar em dezembro, abrange espécies nativas sem ferrão da Mata Atlântica, com foco em pequenos produtores e educação ambiental
Redação
Publicado em 21/10/2025, às 17h08
Proibida até agora pelo Código de Posturas, a criação de abelhas em área urbana ganha um novo capítulo em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. A Lei Complementar nº 1.735/2025 passa a permitir, a partir de dezembro, a criação de abelhas nativas sem ferrão em todo o arquipélago.
Publicada em 7 de outubro, a norma modifica o artigo 135 e autoriza colmeias de espécies nativas. O objetivo é incentivar a produção de mel por pequenos produtores e bases comunitárias, com salvaguardas ambientais.
Com essa nova lei, Ilhabela reafirma seu compromisso com o meio ambiente, permitindo a criação de abelhas nativas sem ferrão e fortalecendo a produção sustentável e com respeito ao ecossistema local”, afirmou o prefeito Toninho Colucci.
As abelhas nativas cumprem papel decisivo na regeneração de florestas e na estabilidade ecológica. Por terem ferrão atrofiado (por isso não ferroam), permitem manejo seguro em ambientes abertos e até fechados, o que reduz risco de acidentes e amplia o potencial pedagógico e produtivo.
Segundo a Secretaria Adjunta das Comunidades Tradicionais, Pesca e Agricultura de Ilhabela, a medida fortalece agricultores familiares e iniciativas comunitárias.
No passado, houve a disseminação de colmeias de abelhas de origem africana em Ilhabela, que por seu comportamento e presença de ferrão ocasionavam graves acidentes quando ameaçadas. Já as abelhas nativas sem ferrão possuem mecanismos de defesa muito menos nocivos e, por esse motivo, não merecem ser tratadas com o mesmo rigor”, destacou a secretária adjunta Mayra Hirakawa.
Ao derrubar a proibição geral, Ilhabela dá o primeiro passo para se consolidar como “cidade amiga das abelhas”. A prefeitura afirma que a prioridade é conciliar produção sustentável, conservação da Mata Atlântica e geração de renda local.
A legislação alcança todo o território municipal, e a orientação é adotar manejo responsável, com identificação correta das espécies e respeito às normas sanitárias e urbanísticas.
Pequenos produtores e coletivos locais podem organizar meliponários com espécies nativas, agregar valor com mel, pólen e geoprópolis e, ao mesmo tempo, ampliar a polinização de quintais produtivos e áreas verdes urbanas.
As abelhas sem ferrão pertencem ao grupo das meliponíneas (Meliponini), com centenas de espécies no Brasil. Na Mata Atlântica, estudos indicam participação elevada desses polinizadores, fundamentais para a reprodução de plantas e a manutenção da fauna.
Entre as espécies mais conhecidas estão jataí (Tetragonisca angustula); mandaçaia (Melipona quadrifasciata); uruçu (Melipona scutellaris) e tiúba (Melipona fasciculata). Cada uma produz mel com sabor, cor e aroma próprios, influenciados pela florada local.
A meliponicultura, como é chamada a criação racional de abelhas sem ferrão, combina conservação e renda. Além do mel, há potencial para pólen, cera e geoprópolis, com demanda em cadeias curtas e projetos comunitários.
Para identificação e boas práticas, o Programa Abelhas Nativas, da Fundação Florestal, mantém fichas de espécies paulistas e implanta meliponários educativos nas unidades de conservação. A recomendação é observar e registrar, sem manipular ninhos sem capacitação.
Guarujá quer implantar Faixa Azul para motos em 2026
Tarcísio anuncia R$ 250 milhões para moradias e R$ 7 milhões para o AME em Cubatão