Evento deve reunir voluntários em sete pontos estratégicos; Instituto Mar Azul se uniu à AbrasOFFA, para ação de coleta de bitucas e conscientização
Estéfani Braz
Publicado em 27/08/2024, às 21h25
Um pequeno pedaço de filtro enrolado em papel fino, mas que contém milhares de substâncias tóxicas capazes de contaminar o solo, lençóis freáticos e prejudicar a fauna e a flora marinhas. São as bitucas de cigarro, resíduos que podem impactar negativamente a natureza. Pensando em reduzir os problemas, o Instituto Mar Azul se uniu à AbrasOFFA, para realizar o Mega Mutirão de Coleta de Bitucas na praia de Santos, na Baixada Santista.
A ação realiza-se no dia 31 de agosto, a partir das 8h. Voluntários estarão agrupados em sete pontos estratégicos ao longo da orla da praia, desde a divisa de Santos/São Vicente até o Aquário Municipal de Santos. Este é o terceiro ano que o mutirão é realizado.
A conscientização é um dos principais pontos que podem ajudar na redução de danos ao meio ambiente. A participação popular em atividades como essa geram conhecimento e consciência ecológica.
Os interessados em colaborar com o Mutirão podem se inscrever pelo formulário disponível na bio do Instagram oficial do Instituto ou enviar mensagem via WhatsApp para (013) 99786 4510. Após o cadastro, os voluntários serão direcionados ao ponto de coleta mais próximo.
Segundo a organização, o evento faz parte de um esforço coletivo alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas até 2030, abrangendo as metas de cidades e comunidades sustentáveis, ação contra a mudança climática, conservação dos oceanos e biodiversidade, além de promover parcerias para o desenvolvimento. Os dados coletados servirão como base para comparação com as ações realizadas em 2021 e 2022.
Em edições passadas, foram recolhidas, respectivamente, 36 mil unidades, em 2021, e 31 mil, em 2022, abrangendo a faixa de areia, o calçadão e o jardim da praia.
As pontas de cigarros são lixos encontrados comumente nas ruas, praças, parques, praia, entre outros locais que fazem parte da rotina de todo ser humano. Os estudos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontam que uma única bituca de cigarro é capaz de contaminar 67 litros de água do mar.
As bitucas são filtros feitos de microplásticos conhecidos como acetato de celulose, que podem levar até cinco anos para se decompor, quando descartada incorretamente. Além disso, há a relação de absorção de elementos químicos como nicotina, benzeno, metais pesados como chumbo, além de arsênico, amônia, formol, naftalina e até os elementos radioativos polônio 210 e carbono 14, entre outros.
O professor de biologia do Centro Universitário Módulo, em Caraguatatuba, no litoral norte, Bruno Reis, explicou que além das substâncias tóxicas prejudicarem o crescimento de plantas aquáticas e a possibilidade de alteração do ecossistema marinho, o material ainda pode causar outros danos. “Diversas espécies marinhas acabam confundindo as bitucas de cigarro com alimento. Esse tipo de lixo pode obstruir o trato digestivo desses animais, podendo levá-los à morte”.
Dados do projeto Lixo Fora D’Água mostram que, a cada 8km de praia, pessoas encontram mais de 200 mil bitucas na faixa de areia. Reis lembrou ainda que, mesmo na areia, a bituca pode prejudicar a fauna e a flora marinhas. “Vale lembrar que a praia é um ambiente de transição entre a terra e o mar e, constantemente, sofre ações de ondas, marés e ventos. Esse ambiente também é habitado por animais como caranguejos e aves e esses podem sofrer o impacto da ingestão desse lixo”.
Por isso, a união de forças é uma das soluções para reduzir os impactos à natureza. Os mutirões e as campanhas de conscientização são ferramentas fundamentais para abordar questões como o impacto das bitucas de cigarro no meio ambiente.
Santos registra 11,1 graus, temperatura mais baixa em mais de 20 anos
Litoral sem bituca: projeto recolheu mais de 5 milhões de bitucas em 8 anos